sábado, 25 de novembro de 2017

Pedro Rolo Duarte

Recebo a triste notícia: um grande jornalista já não está entre nós.
Homem da verdade, da qualidade, da lealdade, da crítica construtiva, da grande cultura, da juventude (associo-o ao "Sete").
Gostava muito do Hotel Babilónia, que ele fazia tão bem! Estranhei a sua ausência no último programa que foi conduzido pelo amigo: agora percebo a razão!
Julgava-o eterno, queria que fosse eterno!
"Se calhar julgas que andas escondido e que eu não sei onde estás.. Está bem, está: eu sei tudo. Nisso, sou como tu. Não é fácil saber tudo. Também nisso sou como tu: preferia não saber nada. Com nada consegue-se trabalhar. (...)*

*Fragmento da crónica Ainda ontem, terça-feira!
 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

2 Dedos de Conversa: somos todos contra os incêndios (2)


(foto)

Esta foto dava uma aula muito completa sobre os conceitos de Estado, Governo, Direito e Bom Senso.
A história vem contada (muito bem contada!) por Ricardo J. Rodrigues nesta reportagem do DN:

Há 28 anos um povo lutou contra os eucaliptos. E a terra nuncamais ardeu

Em poucas palavras: durante a era Cavaco, o ministro da agricultura Álvaro Barreto, que estava muitíssimo ligado à indústria da celulose (podem ver no seu currículo que foi presidente do Conselho de Administração dessa empresa imediatamente antes e imediatamente depois de ter sido ministro da Agricultura), defendia a implantação do eucalipto. Em Valpaços, uma subsidiária da Soporcel estava a substituir 200 hectares de oliveiras por eucaliptos, com apoios europeus a fundo perdido. A população juntou-se e avançou para a propriedade para arrancar os eucaliptos. Os 200 agentes da GNR enviados não conseguiram parar as 800 pessoas que estavam a lutar pela sua segurança e pelo seu futuro. Alguns deles, nem quiseram - como o que lhes disse «Tendes razão, por isso vamos fingir que não vemos.» Outros carregaram sobre as pessoas. Até a guarda a cavalo veio para impedir a população de arrancar os eucaliptos.
O povo lutou com ardor e teimosia. Os poucos hectares de eucaliptos que ainda sobravam, ao fim do dia, foram arrancados mais tarde pela calada da noite.
Os proprietários que se seguiram foram logo avisados que escusavam de pensar em plantar eucaliptos.
Há trinta anos que não há lá incêndios.
.... ver aqui
somos todos contra os incêndios (2)


É um acontecimento de divulgação obrigatória!

Um exemplo: a acção vale mesmo!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Alpendre da Lua: Manifesto: Pela nossa saúde, pelo SNS

Alpendre da Lua: Manifesto: Pela nossa saúde, pelo SNS: Manifesto: Pela nossa saúde, pelo SNS Porque é um assunto que a todos nos diz respeito, tomo a liberdade de vos contactar para vos ...

Subscrevo

Celso José Costa

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O silêncio do fogo na voz da dor...


*“Estamos tão cansados, mas não podemos estar. Os mortos não se calam e não nos deixam cansar. Gritam por justiça! Exigem mudança!
A Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande é um movimento cívico que partiu dos familiares e amigos das vítimas mortais da tragédia [do grande, brutal e devastador incêndio que lavrou do dia 17 a 24 de Junho de 2017  nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra]. Uma associação cujo mote é apurar responsabilidades e ajudar a construir um futuro em que tal tragédia e crueldade não volte a acontecer.
(...) Olho à volta e as pessoas não se riem, choram sozinhas, acanhadas, não se olham nos olhos, com vergonha pela sua impotência, com medo; o cenário é deprimente e não nos ajuda a superar com dignidade a tragédia. O inverno não tarda e com ele as ruas despidas de vida (…)
Há rancor, ressentimento com o território e com as entidades públicas. O Estado falhou. A Nação não existiu. Mas não falhou apenas nesta tragédia. O Estado vem falhando ao longo de décadas. O Estado padece de uma cegueira crónica, está enfermo de um tal sentimento de negação de si próprio. Nega o seu estado de país rural, um país orgulhosamente rural e por isso mesmo rico.

(…) O Estado falhou nesta tragédia levando consigo o sentimento de pertença de Nação que tínhamos. Não assegurou o seu Território e com ele o seu Povo… Fomos vítimas desta ausência insuportável de Estado. Ontem e hoje. Mas não amanhã, porque já chega de incêndios que ceifam vidas. Incêndios como os de 2003, 2005 e Junho de 2017, que contabilizam até à data, 100 vítimas mortais em solo português, não podem voltar a acontecer.
É hora de todos dizermos “Basta!”. Este Estado que não quer ver secou uma parte importante da sua Nação, aquela que moveu este país durante séculos, o Interior. A primeira muralha e frente de defesa no Passado contra as invasões estrangeiras, o celeiro do País em tempos de vacas magras, o emissor de soldados nas guerras ultramarinas, o mercado de mão-de-obra barata em tempos de construção europeia… Quando o Interior e os seus recursos já não eram precisos, substituídos pela oferta de bens e serviços mais baratos, o Povo e o Território do interior foram abandonados à sua sorte. Emigrem! E assim o fizeram abandonados á sua sorte.
Não houve solidariedade em tempos de vacas gordas, não houve estratégia para o Território quando os dinheiros dos fundos estruturais chegavam a rodos.. Foram anos de esquecimento, de esvaziamento  progressivo e consitente das instituições regionais e locais, depois seguiram-se as empresas e por fim as pessoas. Sobreviver é preciso. Foram sucessivas décadas de descaso com o Interior, de negligência com o Território, com a Floresta e a Agricultura. Tendo como consequência a emigração das pessoas em idade activa, restando uma povoação envelhecida e empobrecida a exigir cuidados redobrados do pouco Estado [que restou e que nos foi esventrado] e sobretudo das autarquias locais e das misericórdias. Parecia propositado... o Interior tornou-se terra de ninguém, envergonhado de o ser, abandonado e, assim, por fim, vergado.
Deveríamos dar graças por nos termos tornado a maior região eucaliptizada da Europa... Fomos agraciados pala falta de oportunidade! O Território estava a saldo e ninguém quis saber.

O Interior tornou-se um canteiro de ervas daninhas, sem jardineiro – as suas gentes. Um barril de pólvora a que se soma a indústria do fogo institucionalizada e um qualquer ano eleitoral. Os ingredientes ideais para a tempestade perfeita. A tragédia de 17 a 24 de Junho de 2017 estava mais que anunciada. Foi apenas uma questão de tempo… e o tempo não pára. E com ele foram muitas vidas abreviadas. Cedo de mais… cedo de mais! Por ti meu filho…

*Fragmento do testemunho de Nádia Piazza, mãe de uma criança de 5 anos que morreu em Pedrógão Grande, publicado no Público de 23 de Julho de 2017.
Comentário: a perda de um filho é a maior tragédia que pode acontecer a uma mãe. Mas, atentas as circunstâncias em que aconteceu aquela que vem descrita, a situação assume foros de verdadeira hecatombe!  Registo a chamada de atenção para a negligência dos dirigentes, quando refere "assim se vai governando Portugal. Sem pactos de regime e visão a longo prazo. Vão-se puxando o tapete uns aos outros, não se apercebendo que , por fim, só restam cacos, dor e tristeza para governar."
Daí que se perceba o grito de dor e revolta "já chega de incêndios que ceifam vidas. Basta! ".
Admirável discurso duma mãe que recusa entregar-se à simples lamúria e, em vez disso, transmite palavras de esperança e exortação.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

domingo, 25 de junho de 2017

O caminho do fogo

Memorável "Uma reportagem das jornalistas Patrícia Lucas e Rita Marrafa de Carvalho", ontem, na RTP 3.
Gostei muito desta autêntica resenha sobre a tragédia de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera , Figueiró dos Vinhos, Góis...
 
A dignidade e honestidade intelectual mandam que se seja objectivo e pare para pensar!
A tragédia foi brutal mesmo...
não vejo melhor maneira de exprimir um sentimento, que não seja na primeira pessoa, como aconteceu: as pessoas, quer as vítimas, quer os bombeiros e restantes protagonistas (autarcas, governantes, jornalistas, protectores civis ...)  dizem tudo, mesmo, às vezes, sem dizer nada nada!


As pistas sobre o que deverá ser feito no futuro estão lá todas! É uma tarefa hercúlea para o Estado, ou seja, para todos nós que o somos!

Fico em silêncio... e tinha tanto para dizer, mas a revolta, a vergonha, a tristeza, o luto, o respeito por quem sofre, e a esperança que é a última a morrer, mandam que fique calado!