quinta-feira, 4 de maio de 2017

Bibliotecas itinerantes



3 de maio: início de mandato da nova presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, sucedendo a Artur Santos Silva que assegurou o cargo nos últimos cinco anos (2012-2017).
Administradora executiva da Fundação desde 1999, Isabel Mota foi eleita por unanimidade em Conselho Plenário realizado no dia 7 de dezembro do ano passado, assumindo agora a presidência executiva da Fundação nos próximos cinco anos.
No discurso de tomada de posse, a sexta titular do mais alto cargo destacou:
“Vejo a Fundação como uma instituição filantrópica, única e una, que constrói a sua identidade na diversidade da sua intervenção, da arte à ciência, da educação à beneficência, as quatro finalidades estatutárias definidas pelo nosso fundador, numa combinação equilibrada de recursos”
*
Para mim, "a Gulbenkian" é sinónimo de bibliotecas itinerantes: a minha aldeia natal recebia, uma vez por mês, a carrinha "cheia " de livros que faziam a delícia das crianças!
Nos tempos de estudante, era o ponto de encontro obrigatório para os amigos. Lá passei horas e horas, a fio, à volta dos livros, exposições de pintura, musicais, etc. Várias gerações ali criaram hábitos de cultura pelas Artes em geral e creio que ainda hoje assim é!
 

sábado, 18 de março de 2017

António Lobo Antunes


"Considerou "estranho" ter recebido o Prémio Autores Vida e Obra, da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), "por não saber onde começa uma e acaba outra".  Isto para mim é estranho", disse o escritor, no fecho da Gala da SPA, em Lisboa, acrescentando que o nome do prémio lhe faz uma "imensa confusão".
Não sei onde a vida começa e a obra acaba, porque desde que me conheço que escrevo (...)
aos quatro anos, já fazia romances "de duas páginas". 
Agradeceu o prémio entregue pelo presidente da SPA José Jorge Letria. Agradeceu igualmente a presença do Presidente da República, que cumprimentou o escritor em palco, assim como daquele a quem chamou "grande poeta", o ministro da Cultura, amigo "há mais de 40 anos", Luís Filipe Castro Mendes."
- Lusa 16 Mar, 2017, citação.
Assisti em diferido.
Momento emocionante - aquele em que o premiado cumpre a promessa de fazer adeus ao senhor Barata - que apresentou como homem inteligente, tipógrafo reformado, sempre sózinho, com uma grave doença de cancro no pulmão!).
"Livre-se... [pausa] livre-se de não vencer essa puta, que é o que o cancro é". 
Inesquecível lição para todos nós!

 

 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

casa museu 2


amanhã, 16H30, na casa museu
inauguração da exposição

"Almeida Moreira, Museólogo"

obras de quem viveu o sonho
da época:
salvar o património cultural

Presidente da CMV convida.

 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Fogos


 “Se fizermos um bom trabalho na prevenção dos fogos, ninguém nos dá valor” - Richard de Neufville* - em conversa com a jornalista Mariana Oliveira - PÚBLICO, QUA 7 OUT 2015 - de cujo artigo segue, com a devida vénia, o fragmento:
 (…) Se não se fizer a prevenção, o material combustível vai-se acumulando na floresta e se não o retirarmos de lá, quando um fogo começar … tem mais combustível e será mais difícil de combater. Isto é um problema recorrente de gestão: tendemos a olhar para as coisas que estão a correr mal e esquecemos de como as prevenir. Se fizermos um bom trabalho na prevenção dos fogos, ninguém nos dá valor. As pessoas têm que perceber que é importante prevenir.
Mas são políticas pouco visíveis e que só dão resultados a longo prazo…
É pelas mesmas razões que damos vacinas às crianças. Preferimos prevenir as doenças a esperar que as crianças adoeçam e então tratarmos delas.
Os políticos têm que ser sensibilizados para apostar na prevenção?
Não é investir tudo na prevenção, mas equilibrar os gastos entre o combate e a prevenção. O importante é que o país perceba que a prevenção é uma forma importante de lidar com o problema. É nossa responsabilidade, como comunidade, garantir que coisas más não aconteçam. Na mesma lógica da vacinação das crianças. Percebo que é excitante comprar novos equipamentos, como helicópteros, mas tem que haver uma abordagem equilibrada
Também estudaram o problema dos reacendimentos. O que concluíram?
Como há muitos fogos em simultâneo, há uma tendência para abandonar os fogos já controlados. As equipas pegam em todo o seu equipamento e vão combater outro fogo e o primeiro fogo começa outra vez. Os números são bastante impressionantes. Na região do Porto, a que estudamos, houve um fogo que se reacendeu 28 vezes. Isto é muito esforço desperdiçado. (…) Só porque não há grandes chamas, não quer dizer que o fogo tenha terminado.
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*- Professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), investigador do Projecto Fire-Engine, integrado no Programa MIT Portugal; participante no 1º Fórum de Sustentabilidade 2015 dedicado à defesa da floresta contra incêndios, organizado pelo grupo Portucel Soporcel.
Nota 1 -  pensamento:
Lamento que tão sábias palavras, proferidas há dez meses,  tenham caído em saco roto. Se os poderes públicos (e privados) tivessem seguido os seus conselhos, hoje não estaríamos a assistir às cenas habituais da "tragédia" bem conhecida (há décadas!)
Nota 2 - boas práticas:
O flagelo dos incêndios deve ser combatido por cada um de nós, através de iniciativas de vária ordem, como por exemplo, a adesão ao apelo dos Bombeiros Voluntários de Viseu a solicitar ajuda monetária, doação de víveres, etc.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O Quarto fechado

Sábado, de manhã, o filho mais velho manifestou vontade de se despedir da avó antes de embarcar para o estágio de intercâmbio universitário em terras do brasil.

Nós - mãe, filho mais novo e eu -, aplaudimos, porque já tinha decorrido algum tempo desde a última visita à querida anciã.
Estacionámos mesmo em frente ao prédio onde mora.
Subimos: o Proutsy é o primeiro a aparecer, recebe-nos aos saltos e latidos, sinais de enorme alegria.
Dirigimo-nos ao quarto (desde que veio do hospital, ocupa um quarto que não o do casal): estava deitada, à fresca e entretida a ler o folheto das promoções do supermercado mais próximo.
Não se mostrou muito admirada pela surpresa da visita: não estava para grandes conversas, respondendo às perguntas com frases curtas; a determinada altura, como é seu hábito, questiona o filho mais novo sobre o curso que vai escolher.
Enquanto decorre esse breve diálogo, dirijo-me ao quarto [ que era o do casal e, nos últimos tempos, acolhia apenas o meu sogro, razão pela qual, em família, se chamava "o quarto do avô"] -foi lá que  lhe dei o último abraço : “esta é a última vez que nos vemos”, palavras que, na ocasião pareciam destituídas de sentido, mas, que, hoje, vejo como prenúncio do que, volvidos três dias, viria a acontecer. 
Não sei explicar muito bem o que é que me impeliu para o compartimento; sei apenas que para mim era fundamental o regresso àquele espaço, rever as quatro paredes que constituíam o seu pequeno mundo [era ali que se refugiava, lia, cultivava o seu gosto pela música – aprendeu a tocar guitarra e acordeão, utilizando instrumentos musicais que ali tinha sempre à mão].
Eis senão quando, deparo com a porta fechada á chave.  Mas porquê, se nada havia para esconder, antes pelo contrário, muito havia para lembrar, agarrar e aprender!?
Incrível: tantas vezes ali entrei, durante mais de vinte e quatro anos, nunca senti qualquer sintoma de rejeição.
Que estupidez, uma coisa daquelas!
“Não sei quem a fechou” – diz a querida anciã.
A Isabel, atónita, retorquiu: “Só poderia ter sido a…  [não interessa dizer o nome].

Como estava próxima a hora do avião, despedimo-nos. No hall, o Proutsy ficou inconsolável, irrequieto, aos saltos, não nos largava.
“Está triste” – diz o filho mais novo, sensibilizado pelo estado do bicho.

Enquanto dizia adeus,
fiquei a pensar que o pobre animal sofria, não só pela nossa partida –  já não é coisa de pouca monta -, mas também por terem fechado o quarto  e, por via disso, impedido a visitação dos aposentos do velho amigo, onde sempre foi acarinhado!
Uma afronta
irreparável injustiça!

 

sábado, 4 de junho de 2016

Décimo sexto dia


Há um “antes” e um “depois” do triste dia em que, de manhã, chegou a notícia dada pela Isabel Maria de forma nua e crua: “o meu pai morreu… Celso! … morreu… o meu pai!
Foi como uma bomba que me deixou atordoado.
Desde então, a figura do pai segundo, não me sai do pensamento! Médico talentoso, introvertido [como é próprio de um ilhéu], nutria um profundo vínculo afectivo à terra natal, de que destacava a invejável vida calma e paisagem bucólica.
Denotou sempre humildade nas suas opiniões e no viver quotidiano com o próximo: tinha uma auréola de humildade que só costumamos ver nos homens sábios!
Natural de Santo António Nordestinho,  São Miguel, gostava de, nos últimos dias da vida, regressar à origem,  como fazem os elefantes quando pressentem a proximidade da morte. Infelizmente não foi possível a realização do sonho. Quem sabe um dia...

Que saudades tenho do tempo que com ele convivi, que, à distãncia, me parece tão exíguo e tão pouco!
Hoje buscava apontamentos para alinhar a presente mensagem sobre “o avô Cid” (é assim que os meus filhos o tratam), quando, vamos lá saber porquê, dou com a reprodução do quadro Perro semihundido de Góia, adquirida no Museu do Prado (16/03/2013), há muito tempo esquecida no saco.

Não sei se foi por mera coincidência ou por alerta do Além, logo pensei que a imagem continha um qualquer Sinal daquele que já pertencia ao mundo dos deuses.
 A busca no Google transmitiu o significado da pintura: Esta obra puede representar, al mismo tiempo el todo y la nada. La nada, ya que representa únicamente la imagen de un perro en absoluta soledad y el todo porque en esa imagen, aparentemente tan simple, se representa el mundo en sí, es decir, la presencia de un ser vivo, en este caso, un perro, pero pudiera ser también un hombre, en el universo y todas las posibilidades que tiene el estar en ese universo, tales como experimentar las sensaciones humanas como el miedo, la soledad, el vacío, o bien, la libertad, la lucha, etcétera.Patricia Ortiz Lozano, estudia la Maestría en Arte Contemporáneo en la Universidad de las Artes, https://cafecin.wordpress.com/
Sublinho:  “(…) miedo, la soledad, el vacío, o bien, la libertad, la lucha… paro, e digo para mim mesmo “cá está…. uma perfeita sintonia entre o quadro e “aquele que os meus filhos tratam por avô Cid”; e destaco a batalha hercúlea e longa que teve de travar no seu quotidiano e que, imperceptivelmente, o consumiu... 

Aconteceu ao décimo sexto dia depois do avô Cid.
P.S. gostava muito do Proutsy, cão que lhe vinha fazendo companhia nos últimos anos: ambos se ajudavam mutuamente nas horas de solidão.



Elaborado em 1 de Junho de 2016

domingo, 6 de março de 2016

Águias

Ontem voaram em Alvalade!
Um voo rasgado do grego Mitroglou sobre a grande área dos leões lançou o pânico no seio leonino  e ...golo do Benfica! Uma valente bicada nas hostes inimigas!
Os minutos sucediam-se: julgavam os leões que a defesa encarnada [supostamente, a sua parte mais fraca], mais hora menos hora, ruiria... mas..., não, chegou o 95º minuto e o marcador não sofreu alteração!
O resultado final, 0-1, colocou o Benfica no topo da tabela classificativa, isolado.
Agora, o tricampeonato não depende de terceiros! Coisa que, há menos de um mês parecia missão impossível!

Jorge Jesus não reconheceu mérito ao rival, nem ao seu treinador, num jogo em que, a meu ver, saiu humilhado: o rei do derby lisboeta* fez jus ao ditado popular "ter  entradas de leão, saídas de sendeiro".
Está [quase] tudo dito!
Dizemos "quase" porque falta referir que esta jornada ainda mexe, e, logo à noite, pode trazer uma pequena lembrança oferecida pelo arsenalista, que eu apelido de apóstolo do Bom Futebol, Paulo Fonseca: a vitória do Sporting [de Braga] sobre os azuis-e-brancos!
Seria ouro sobre ... encarnado!

* citação na véspera do jogo n'A BOLA, 
legenda da imagem de S. Vivente (padroeiro de Lisboa),
metamorfoseado de Jorge Jesus.