sábado, 9 de junho de 2012

áurea menina


“É possível que, na queda, se tenha magoado um pouco. E, por causa da dor, se tenha retraído, a fim de passar despercebida: uma atitude típica da espécie, que, como presa habitual, precisa de “enganar” os predadores, em luta pela sobrevivência.”
As surpreendentes palavras trouxeram algum alívio. Será que, afinal, a doença não seria tão grave como nos parecera?
A verdade é que havia dois dias que toda a família andava preocupada com o estado de saúde da hamster. Tudo começou quando o bicho apareceu, pela manhã, a tiritar de frio, fora da gaiola, a um canto da sala. Será que caiu e se magoou? Será que o frio da noite gélida, fora do aconchego do ninho, lhe teria feito mal?
As espreitadelas à gaiola sucediam-se a toda a hora, observando a evolução do animal … que nos parecia sem genica, não comia nem bebia… e passava a vida no ninho. A preocupação estampou-se no semblante de toda a família!
- Temos que a levar ao veterinário!
Coube-me a tarefa. Mil cuidados no transporte, primeiro no automóvel e depois ao colo até à consulta.
“Então, o que tem esta menina?”
Mal a veterinária lhe pega, deu-lhe uma valente mordidela.
- Está com muita vitalidade!
Observa-a atentamente e desencadeia os procedimentos habituais, até que:
-Não lhe encontro nada de especial… aparentemente está bem. Recomendo apenas alguns pequenos cuidados e vigilância.
Explica que tudo se pode ter devido ao forte instinto de defesa pela sobrevivência.
Continuou cautelosa durante alguns dias, mas, pouco a pouco, recuperou totalmente.  Olhos vivos e misteriosos. Sempre em movimento. E no dorso, o brilho e a cor de ouro [a que se deve o seu nome].
Encantador regresso à normalidade.
Nada melhor existe no mundo!