sábado, 5 de dezembro de 2015

rosas brancas


É terrível
o momento
em que o sorriso desce à terra

Rosas,
rosas brancas
saem de mãos incrédulas
voando
para as tábuas
da clausura
e da derradeira solidão!

Frágeis
tão frágeis,
as rosas
são afinal
o signo fiel
do menino-coragem
que em vida
não foi compreendido
quando buscou a liberdade

Mas, no seu último suspiro
quer soltar
as amarras
e grilhões que o prenderam!

Terrível momento.

A aldeia inteira,
à sua volta de alma destroçada,
Sofre em silêncio
pede a Deus que o salve.

O milagre aconteceu:
o menino
ganha asas e voa
em direcção do céu;
e as rosas
espinhosas
unem os presentes
eternizando
o momento

Paulo Luís

Sinto que o perdi! Sinto que o fui perdendo. Sinto o que todos sentem e clamam "um pedaço de mim fugiu e não volta mais!" Julgo que doravante o sol terá vergonha de brilhar e a lua de aparecer em noite de Novembro. Tudo mudou! até a vida tomou outro rumo outro sentido!

sábado, 3 de outubro de 2015

Rápida, a sombra de Vergílio - Opinião - DN

Rápida, a sombra de Vergílio - Opinião - DN



Um texto histórico!

Só não sei quem será a "Noiva do Minho" a que se referia Vergílio Ferreira.

sábado, 5 de setembro de 2015

Batalha, o pintor


Exposição de Pintura de António Batalha, no Museu Almeida Moreira - uma iniciativa
da câmara municipal.
É uma bela homenagem ao artista que, curiosamente, se tornou mais conhecido na cidade como fotógrafo, actividade que desenvolveu na emblemática Rua Direita. Aí liderou o estabelecimento de fotografia fundado pelo pai no início do século passado.

O artista viseense tem sido votado ao esquecimento: uma injustiça face à importância e qualidade da sua obra. Daí que estava na hora de ser desencadeada uma iniciativa, como esta, no sentido de colmatar essa grave lacuna.   e pode ser até que o evento se venha a transformar no trampolim que o artista precisava para o inequívoco reconhecimento do seu mérito artístico.

Os quadros exibidos representam as várias facetas da sua produção artística.
Os retratos atingem um nível elevado de qualidade, contudo, as paisagens não lhe ficam aquém. Aliás, a riqueza das paisagens é destacada no postal distribuído gratuitamente aos visitantes, onde se pode ler que nesta área o pintor tanto assume a ruralidade regional como o cosmopolitismo das cidades que visita.
Todo o conjunto de obras é digno de aprimorada atenção, todavia devo destacar o óleo sobre tela intitulado "Capuchas" , da Colecção Municipal, que merece uma observação mais demorada. Representa quatro figuras humanas a caminho (ou no regresso?) da lavoura: uma delas, a mais jovem- figura central -, segue sentada no carro de bois com um cabritinho ao colo. Um quadro pleno de vida e beleza invulgar.

Foi um autodidacta. Recebeu, em 1957, o Terceiro Prémio da Sociedade Nacional de Belas Artes.

Numa altura em que a cidade está toda voltada para a Feira de S. Mateus, é aconselhável uma visita. E não esqueça que o próprio edifício do museu (onde está instalada a exposição) merece também uma especial atenção: a recente reestruturação pode constituir uma agradável surpresa. Aproveite ainda a ocasião para dar uma olhada ao Jardim das Mães - lugar aprazível, ali mesmo ao lado.

sábado, 11 de julho de 2015

ORÁCULO


 

“ Tem sido um começo de ano difícil. Há ansiedade no ar, nos gabinetes e corredores das instituições europeias. Pouco mais se tem feito, para além da gestão da rotina. Não deixar a máquina emperrar parece ser a única preocupação. Mas faltam o entusiasmo, a determinação e a coragem. Ninguém quer fazer ondas. Tudo isto reflecte a desorientação em que a Europa se encontra.

(…) Já não se fala de convergências políticas, de ambições supranacionais, nem da «casa europeia». É tudo muito mais terra-a-terra. Enveredar por esta opção, como agora está a acontecer, faz cair Bruxelas das nuvens e os eurocratas do pedestal onde muitos anos de retórica grandiloquente os haviam colocado.

“A reorientação a que se assiste traz consigo um retorno a uma Europa com um motor a dois cavalos: a França e a Alemanha. Um regresso à história, em que a burguesia belga, neste caso Herman Van Rompuy, faz, como sempre fez, a ponte entre vizinhos. O resto é periferia. Só que a periferia pode, como agora acontece com a Grécia, dar origem a ondas de choque. A crise grega põe em causa o pacto de estabilidade e enfraquece de modo significativo, a moeda única.

“Nunca se escrevera tanta opinião tão pessimista sobre o futuro do Euro, como nas últimas semanas. As declarações de solidariedade recentes não chegam para fazer esquecer que a Grécia tem, a curto prazo, que ser capaz de responder aos enormes encargos financeiros que chegam a vencimento. Conseguirá? Como também terá de adoptar políticas macroeconómicas com grandes custos sociais. Haverá suficiente força política em Atenas para que isso aconteça?

Imaginem! Este fragmento é tirado da crónica de VICTOR ÂNGELO na Visão de 25 DE FEVEREIRO DE 2009 - leram bem: 2009! Impressiona pela sua actualidade. Parece coisa de “adivinhação”, não só pelos vendavais que assolam a Zona Euro, mas em especial pela crise grega e a séria ameaça de contaminação dos membros periféricos. Finaliza assim:

“Neste momento a impressão que fica é a de que o trem europeu saiu da estação, o Tratado de Lisboa deu o sinal de partida, mas sem que o destino da viagem seja claro. Nem mesmo os nomes das estações intermédias são conhecidos do grande público. Os poucos passageiros a bordo parecem gente de um outro mundo, sem qualquer relação próxima com o cidadão europeu. É uma elite desligada das massas, a viajar em carruagens de primeira classe, num comboio chamado incerteza”.

domingo, 7 de junho de 2015

A TERRA DE NINGUÉM


 
Livro de crónicas, de Santana-Maia Leonardo, apresentado no Club de Viseu.
O autor vive em Ponte de Sor, mas escolheu  Viseu para a apresentação, muito provavelmente porque é a cidade onde tem raízes familiares.
É uma “aventura”, como lhe chama o autor, que retrata fielmente os males de que a sociedade portuguesa sofre nos dias de hoje.
Tece duras críticas às políticas que têm sido seguidas nas áreas da educação, justiça, desenvolvimento regional e coesão do "território" nacional. Critica fortemente todas as formas de discriminação social e aponta os erros que têem conduzido à desertificação das regiões do interior [um acto claro de discriminação]. Mas não se trata de um juízo feito de modo gratuito. Pelo contrário, sempre procura dar sugestões para solucionar os problemas que identifica.

“Sinto-me, literalmente, o romeiro de Frei Luís de Sousa que, no final da sua longa caminhada constata que, afinal, o seu mundo já não existia (…) - confessa o autor no prefácio.
Uma agradabilíssima surpresa. E uma raridade pela coragem e desassombro com que fala de assuntos tão delicados e melindrosos.
Obrigado Santana-Maia!

A TERRA DE NINGUÉM
Sinapis editores
2015

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Intacta memória


Resultado de imagem para votos de santa páscoa
A vida é assim!
A Páscoa
É a festa por excelência da minha infância.
Sinto necessidade de o dizer.

Intacta
a memória
leva-nos até às nascentes
retempera as forças
e empurra
pela vida fora!