domingo, 21 de agosto de 2011

10 perguntas

A amiga Andy do blog "Lua" lançou-me o desafio 10 perguntas 10 respostas 10 amigos, que logo aceitei com todo o gosto. Algumas respostas conduziram-me a lugares que considerava esquecidos na gaveta da memória, mas que, afinal, ao primeiro toque de campainha, saltaram cá para fora, plenos de vivacidade. Os livros acompanham-nos e integram a nossa vida. Falar deles é uma tarefa que, por vezes, nos conduz a alguma reflexão, mas que, ao mesmo tempo, nos diverte imenso. Foi um jogo que me deu muito prazer! Obrigado, minha querida amiga. Um grande beijinho!
Aqui vão as respostas.

1 - Existe um livro que relerias várias vezes?
Regresso frequentemente ao Pensar de Vergílio Ferreira.
2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Existem livros que começo a ler e, por razões várias, não me agradam. Não os ponho logo de parte, mantenho-os em cima da mesa à espera que o interesse se renove. Por vezes acontece que outros se lhe sobrepõem, e, volvido determinado período de tempo, vão directamente para a prateleira, sem mais insistência.
3 - Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?
A obra da Sophia de Melo Breyner Andresen. A sua criação literária é uma riqueza que fica bem em todas as etapas da vida.
4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust, Ternos Guerreiros da Agustina Bessa-Luís, entre outros que aguardam na estante o seu momento.
5 - Que livro leste cuja «cena final» jamais conseguiste esquecer?
Nenhum em particular.
6 - Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual o tipo de leitura?
Não. No meio rural em que passei a infância, o livro era pouco acessível, mas lembro-me de ter lido alguns contos (o Romance da Raposa de Aquilino Ribeiro, por exemplo) e as fábulas de Fedro, Esopo e La Fontaine que me chegavam através da Biblioteca Itinerante da Fundação Gulbenkian. Ainda hoje mantenho um gosto especial pela narrativa deste género literário.
7 - Qual o livro que achaste chato, mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Logo que me convenço que um livro não tem relevo, perco a paciência para prosseguir com a sua leitura.
8 - Indica alguns dos teus livros preferidos.
De Profundis, Valsa Lenta do José Cardoso Pires. Descreve muito bem as fragilidades da vida em contraponto à força de viver. O prefácio à 1ª edição, da autoria de João Lobo Antunes, é, também ele, uma obra de arte dentro daquela que é considerada uma obra especial da literatura autobiográfica, com a particularidade de ter sido escrita na sequência da grave doença que “apagou” a memória do escritor; Lápides partidas do Aquilino – espantosas paisagens urbanas, no caso, Lisboa do início do século, a viver um ambiente pré-revolucionário que conduziria à queda da monarquia: a grande qualidade da criação literária aquiliniana contraria a opinião dalguns críticos, talvez em número cada vez menor, que lhe atribuem uma mera dimensão “regionalista”; Os Pobres de Raul Brandão; a Lírica de Camões [poeta, para mim, sempre o maior e tão actual]; Mensagem de Pessoa; O Búzio de Cós da Sophia; O Estado dos Campos do Nuno Júdice, o poeta que recupera a tradição romântica; Cartas a um Poeta, de Rilke; Divina Música, Antologia de Poesia sobre Música, representativa de alguns grandes poetas portugueses e dos países lusófonos.
9 – Que livros estás a ler?
Sôbolos Rios Que Vão do A. Lobo Antunes, logo no primeiro capítulo compreendo o que o autor disse, por ocasião do lançamento da obra «A gente não escreve porque tem coisas para dizer, a gente escreve porque quer escrever. E comecei a perceber que o que se quer escrever é aquilo que se perdeu»; Protecção das Sílabas, Antologia Poética de José Luis Puerto, um dos grandes poetas ibéricos da actualidade, que descobri numa recente ida à livraria da cidade, onde ainda gosto de me perder em busca de novidades.

Preparo-me para ler o Diário do Sebastião da Gama e o Livro de Horas II da Maria Gabriela Llansol, género literário de que também gosto.
Não é fácil ler nos dias de hoje. A vida moderna é tão agitada que importa “gastar” bem o pouco tempo de que se dispõe para ler. A boa poesia ajuda a cumprir esse desígnio. Tenho sempre à mão um livro: desde Camões, Sophia, Fiama, Pessoa, Gedeão, Torga, Nuno Júdice, Vasco Graça Moura, Ana Luisa Amaral, entre tantos outros, incluindo aqueles que, no mundo da blogosfera, nos surpreendem com belas obras de arte.
10 - Indica 10 amigos para responderem a este inquérito.
Amiga G-S do Fragmentos Culturais; Manuela Baptista do HISTÓRIAS COM MAR AO FUNDO; Isabel Maria do Luz de África; Elvira Carvalho do SEXTA-FEIRA; Fa menor do Retalhos e Rabiscos; Isamar do Cata-Vento; Fê-Blue Bird do SÓ TE PEÇO 5 MINUTOS...; e Pedrasnuas do sei_lá...