sábado, 14 de agosto de 2010

A importância dos livros

P2.Quarta-feira 11Agosto 2010, página 2

coluna de Ricardo Aniceto, apresentando a obra:
Breve de Inocêncio XII
Roma, 1695, Novembro, 28
Pergaminho
397x238 mm
C Mosteiro de S. Vicente de Fora


A máxima "verba volant, scripta manent" (as palavras voam, os escritos permanecem) traduz a relevância do livro no ofício de ensinar da Igreja Católica, que, desde os tempos apostólicos, sempre demonstrou especial cuidado com os livros relacionados com a fé e os costumes.
Fruto da actividade das ordens religiosas (...)constituiu-se um património herdado do Norte ao Sul do país, ilhas, Brasil, Macau, em que se destacam as grandes livrarias dos mosteiros de Tibães, Alcobaça e Santa Cruz de Coimbra, mas também outras mais pequenas (...) como as do Convento da Graça e do Mosteiro de São Vicente de Fora, ambas em Lisboa.
O documento que se apresenta traduz a preocupação da hierarquia papal em zelar pela conservação das coleccções bibliográficas. Proveniente do cartório do Convento da Graça trata-se de um breve do Papa Incêncio XII ameaçando com penas os que desencaminharem livros da biblioteca do Colégio dos Eremitas de Santo Agostinho da Graça de Lisboa.

Nota: 'breve' significa "Documento pontifício que contém uma decisão ou declaração de carácter particular, que não se aplica á generalidade da Igreja Católica" - in Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências de lisboa.

Creio que a velha máxima também se aplica, com toda a propriedade, ao conteúdo dum blog. Os pensamentos e ideias nele manifestadas aí ficam registados para sempre.
Constitui uma marca indelével do seu autor. E transmite confiança ao seu leitor.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Canto de amor

Aqui presto a merecida homenagem a Matilde Rosa Araújo (1921-2010) que partiu a 6 de Julho.

Lembro as suas palavras, escritas no Prefácio à "Roda das Estações (Costumes de Meninos da aldeia da Sarzeda)" de Alberto Correia.

"(...) um canto de amor. Para os filhos, para Minda, para a Mãe e outra mãe, para a sua aldeia e para todos quantos lerem estes apontamentos simples e tão raros - apontamentos de informação em poesia sobre os costumes de meninos de uma aldeia do Nordeste (Distrito de Viseu).

"(...) E num rasto de poesia lá andamos nós leitores com este povo de pureza e de verdade. A ancestralidade a falar na voz dos meninos que sabem, sem que se lhes diga, quando se devem pôr a talhar piões."

É, é uma "história" de amor, como a classifica o próprio autor, logo a abrir a obra, na dedicatória, escrita no Outono de 1979.

Li-o vezes sem conta, ao longo dos anos, e guardo-o religiosamente. Nele reconheço a minha infância, também passada na aldeia, em tudo semelhante à que tão maravilhosamente descreve o autor.

Alberto Correia, homem da Cultura, da Escrita e das Artes, claro que tinha que estar ligado a Matilde.

Matilde e Alberto, dois nomes das Letras. Associados para sempre.

Alberto, no Jornal da Beira desta semana, presta também uma bela homenagem à Matilde, dedicando-lhe lindas palavras que culminam: "Há sempre nos seus sonhos o ensejo de fazer da terra paraíso. É por isso, só por isso, que ela canta o amor em pequenino."

O Sol escondeu-se atrás da Lua

Eclipse

O Sol escondeu-se atrás da Lua no Pacífico Sul.

"Foi como estar num estádio à noite, com luz artificial. Tínhamos a impressão de estar às escuras, com uma lâmpada de 10 watts." Francisco Haoa, um funcionário municipal da ilha de Páscoa, descreveu assim à AFP o modo como viu o eclipse total do Sol que, ontem tarde, pôde ser visto em alguns lugares do Pacífico Sul. Ao longo de um estreito corredor de 11 mil quilómetros que atravessou o oceano, o dia substituiu temporariamente a noite. (...) à ilha das misteriosas estátuas gigantes terão acorrido cerca de quatro milhares de turistas, astrónomos e jornalistas, o dobro da população local, para assistirem, durante quatro minutos e 41 segundos, ao sétimo eclipse do século XXI, resultado da interposição da Lua entre a Terra e o Sol, no momento em que os três astros estão perfeitamente alinhados. O próximo eclipse do Sol já tem data marcada: 13 de Novembro de 2012.

Notícia do Público, Segunda-feira, 12 de Julho de 2010.

Gostei. A Lua no seu máximo esplendor. Conseguiu, paulatinamente, o seu momento de glória, assumindo o papel principal no teatro do azul celeste. Relegou para segundo plano o astro-rei todo poderoso. Interessante disputa de trono por breves instantes! Em directo, a partir da lua!

domingo, 11 de julho de 2010

Discretos predadores da porta do lado

Público - Discretos predadores da porta do lado
Uma troca de prisioneiros, secretamente efectuada no aeroporto de Viena (os espiões passaram dum avião para o outro, por um túnel, sem que tivessem pisado o solo austríaco). Moscovo e Washinton recordaram-nos os velhos tempos da guerra fria, em que a espionagem era rica de episódios semelhantes.
Aqui está um rico elemento, digno dum bom romnace.
Aguardo, curioso, os próximos capítulos desta cadeia de factos que promete.
Potenciais romancistas deste país, metam mãos à obra.

sábado, 26 de junho de 2010

Botão de Prata
O jogador, cumprindo o prometido, obteve o Botão de Prata.
Este galardão premeia o esforço desenvolvido ao longo do terceirto período.
E permite-lhe a frequência da 11ª maratona olímpica.
Luta Maior.
Deus protege os audazes.
E os audazes, com humildade, vencerão.
Ciao
Celso José Gomes da Costa

domingo, 20 de junho de 2010

Saramago não era um «gajo porreiro»...

Porque hoje é sábado*



por

VÍTOR SERPA

Em Portugal sempre nos importou mais
o bom ou mau feitio das pessoas do que o talento
ou, mesmo, a sua genialidade



Morreu José Saramago. Agora, sim, vai ser anunciado como um dos maiores portugueses do século. Em Portugal não há como um morto para se elogiar quem vivo se esqueceu. Ou diminuiu no talento.
(...) Pois roam-se de inveja, os eternos maledicentes da Pátria amada, mas que, de facto, são insignificantes. Saramago é e será, para sempre, um dos grandes portugueses. Não por ser um homem bom, um honrado chefe de família, um temente a Deus. Não por ser um abnegado filho da nação, nem por ser um patriota. Não por ser um cidadão sem mácula ou um exemplo de tolerância democrática. Apenas e só por ser um escritor universal e como há tão poucos, em Portugal e no mundo, será isso que o honrará na memória que dele tiverem as gerações futuras.

* coluna semanal publicada no dia 19 de Junho de 2010, dia seguinte ao da morte do Escritor

terça-feira, 15 de junho de 2010

Elefantes brancos

Heróis na tempestade: é o título que prevejo para a crónica final do jogo de futebol Portugal-Costa do Marfim, a contar para o mundial 2010 na África do Sul.
O estádio Nelson Mandela Bay será o palco do espectáculo.
As enormes dificuldades que já se esperam para levar de vencida os "elefantes brancos", aumentaram, agora, significativamente, por causa das condições metereológicas que se prevêm para a hora do jogo (15h00 em Portugal). Chuva e vento fortes associam-se, agora, para densificar a tempestade que a esquadra dos ELEFANTES BRANCOS se prepara para lançar sobre os navegadores de Portugal.
Mas, pergunto: "Não foi contra ventos e marés que os portugueses de antanho se celebrizaram, na conquista do mundo, através dos Descobrimentos?"
Tenho fé. Aquela fé, outrora revelada pelos navegadores, e que agora vi espelhada no rosto de Queirós ao fazer a antevisão do jogo que se avizinha. Estou convicto de que, desta feita, o nosso seleccionador já ganhou pontos ao seu homólogo e adversário de hoje. Pela coragem em assumir uma dinâmica de vitória, quando declarou que não há espaço para o erro, nem neste, nem nos jogos que se avizinham. Ou seja, uma equipa feita para ganhar, sem alternativa que não seja a vitória.
O treinador sueco fechou-se em "copas", nada de nada disse de aproveitável para o lançamento do jogo, nem sequer uma palavra sobre as possibilidades da sua equipa. Nem sequer foi capaz de dizer de memória o lugar exacto que a Costa do Marfim ocupa no ranking: "vinte e tal" - disse. Mas ... o de Portugal sabia: 3º. Desejo que no final do jogo se confirme a única característica que se dignou ventilar sobre o seu adversário. E, já agora, que seja através duma vitória clara.
A derrota da Costa do Marfim seria um grande revés na carreira do grande senhor diplomata do futebol.
Ciao