domingo, 28 de fevereiro de 2016

A utilidade do inútil


"A utilidade do inútil: Para repensar as ciências humanas" - foi o tema da mais uma conferência inserida no programa das comemorações do 1º centenário da fundação do Museu Nacional de Grão Vasco.
Isabel Pires de Lima brindou a plateia com uma extraordinária comunicação que a todos deixou satisfeitos e recompensados.
Foram muitas as citações de autores consagrados: lembro dois, a poeta Ana Luísa Amaral [autora de "Se fosse um intervalo"], e o italiano Nuccio Ordine, cuja obra mais conhecida A utilidade do inútil, pairou sempre na sala desde a primeira hora: só mesmo no final a conferencista fez uma justa referência ao autor e à obra. Ficou-lhe muito bem, mas talvez tenha sido tardia: penso que ficaria melhor se , logo no início, tivesse feito uma homenagem ao escritor que, afinal, tinha, tão só, sido o inventor da expressão adoptada para título da conferência.

Já agora, para ilustrar esta mensagem, lembro a crónica de Paulo Rodrigues Ferreira publicada no jornal Público de 7/1/2015 que dizia, e passo a citar: "o italiano [Nuccio Ordine]lembra que , quando a crise ameaça um país, torna-se necessário duplicar os fundos destinados ao saber e à educação. (...) nos próximos anos haverá que fazer um esforço para salvar da deriva utilitarista não apenas a escola e a universidade, mas também aquilo a que chamamos cultura".

Parabéns ao museu que está a cumprir uma missão que, a meu ver, deveria também ser abraçada por outras instituições ligadas á cultura.
 

sábado, 16 de janeiro de 2016

casa museu

               "Esta casa foi legada pelo Capitão Almeida Moreira e reconstruída com o património da      Fundação Calouste Gulbenkian em 28-4-1965" - reza a lápide no hall de entrada.

O órgão executivo municipal remodelou o espaço: criou salas e novas valências, tudo com um ar mais moderno!  E achou por bem abandonar a antiga designação para passar a chamar-lhe, simplesmente, Museu.

Para mim continua a ser a casa do capitão, em virtude de manter, bem vivos, os sinais do lar d'outrora, quando ali vivia aquele que lhe deu o nome!

Francisco de Almeida Moreira (1873-1939), personalidade ímpar no seu tempo, continua a surpreender-nos no século XXI: peças valiosas, mantidas, durante largos anos, longe do público, foram expostas pela primeira vez!
Dá para ver, agora, a verdadeira riqueza da colecção (pintura, escultura, cerâmica, ...).

A obra de remodelação dignifica o nome do artista. Parabéns à autarquia.
Cabe, agora, a todos nós, amadores das variadas formas de cultura, a responsabilidade pelo engrandecimento da Obra de quem tanto nos deu!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Fogo amigo



A chama da amizade
da amiga 

Obrigado
Votos de Feliz Ano Novo!   

sábado, 5 de dezembro de 2015

rosas brancas


É terrível
o momento
em que o sorriso desce à terra

Rosas,
rosas brancas
saem de mãos incrédulas
voando
para as tábuas
da clausura
e da derradeira solidão!

Frágeis
tão frágeis,
as rosas
são afinal
o signo fiel
do menino-coragem
que em vida
não foi compreendido
quando buscou a liberdade

Mas, no seu último suspiro
quer soltar
as amarras
e grilhões que o prenderam!

Terrível momento.

A aldeia inteira,
à sua volta de alma destroçada,
Sofre em silêncio
pede a Deus que o salve.

O milagre aconteceu:
o menino
ganha asas e voa
em direcção do céu;
e as rosas
espinhosas
unem os presentes
eternizando
o momento

Paulo Luís

Sinto que o perdi! Sinto que o fui perdendo. Sinto o que todos sentem e clamam "um pedaço de mim fugiu e não volta mais!" Julgo que doravante o sol terá vergonha de brilhar e a lua de aparecer em noite de Novembro. Tudo mudou! até a vida tomou outro rumo outro sentido!

sábado, 3 de outubro de 2015

Rápida, a sombra de Vergílio - Opinião - DN

Rápida, a sombra de Vergílio - Opinião - DN



Um texto histórico!

Só não sei quem será a "Noiva do Minho" a que se referia Vergílio Ferreira.

sábado, 5 de setembro de 2015

Batalha, o pintor


Exposição de Pintura de António Batalha, no Museu Almeida Moreira - uma iniciativa
da câmara municipal.
É uma bela homenagem ao artista que, curiosamente, se tornou mais conhecido na cidade como fotógrafo, actividade que desenvolveu na emblemática Rua Direita. Aí liderou o estabelecimento de fotografia fundado pelo pai no início do século passado.

O artista viseense tem sido votado ao esquecimento: uma injustiça face à importância e qualidade da sua obra. Daí que estava na hora de ser desencadeada uma iniciativa, como esta, no sentido de colmatar essa grave lacuna.   e pode ser até que o evento se venha a transformar no trampolim que o artista precisava para o inequívoco reconhecimento do seu mérito artístico.

Os quadros exibidos representam as várias facetas da sua produção artística.
Os retratos atingem um nível elevado de qualidade, contudo, as paisagens não lhe ficam aquém. Aliás, a riqueza das paisagens é destacada no postal distribuído gratuitamente aos visitantes, onde se pode ler que nesta área o pintor tanto assume a ruralidade regional como o cosmopolitismo das cidades que visita.
Todo o conjunto de obras é digno de aprimorada atenção, todavia devo destacar o óleo sobre tela intitulado "Capuchas" , da Colecção Municipal, que merece uma observação mais demorada. Representa quatro figuras humanas a caminho (ou no regresso?) da lavoura: uma delas, a mais jovem- figura central -, segue sentada no carro de bois com um cabritinho ao colo. Um quadro pleno de vida e beleza invulgar.

Foi um autodidacta. Recebeu, em 1957, o Terceiro Prémio da Sociedade Nacional de Belas Artes.

Numa altura em que a cidade está toda voltada para a Feira de S. Mateus, é aconselhável uma visita. E não esqueça que o próprio edifício do museu (onde está instalada a exposição) merece também uma especial atenção: a recente reestruturação pode constituir uma agradável surpresa. Aproveite ainda a ocasião para dar uma olhada ao Jardim das Mães - lugar aprazível, ali mesmo ao lado.