terça-feira, 13 de agosto de 2013

uma cidade para os pássaros


As últimas obras de requalificação da Escola Secundária Alves Martins (antigo Liceu) não pouparam uma parte dos velhos castanheiros que havia no recreio!
- Um atentado ao meio ambiente – pensei, triste pelo sucedido.
Mas, felizmente, alguns exemplares da espécie resistiram. Nesta altura do ano, gozam de boa saúde.
Um alívio!
Lembrei-me, então, que, na entrevista que Aquilino Ribeiro deu a Igrejas Caeiro, recuperada pela rádio Antena Dois, o escritor dizia:
- Nasci perto do Távora, concelho de Sernancelhe, numa aldeolazita, pacata, pobre, em que havia um convento como em todas as aldeias de solo fértil... uma terra de castanheiros. Eu nasci no meio dos castanheiros! O castanheiro é … uma árvore da Força e da Beleza …uma cidade para os pássaros: o periquito-real, a poupa, o melro ali fazem os ninhos… um perfeito mundo. E, depois, as pastoras vêm com os seus tamanquinhos britar o ouriço… com a sua capuchinha apanhar as castanhas, todas as manhãs!

Que riqueza!

sábado, 13 de julho de 2013

Da cor do ouro

De ontem para hoje, a situação não melhorou…  o mal não foi debelado…,  - dita a veterinária. … continua a hemorragia, …vai reagindo bem à medicação, damos-lhe o alimento diluído… estamos a fazer tudo …, mas…, - lembra com um semblante sério e preocupado, …trata-se  de cuidados paliativos...

Olho para o interior da gaiola e vejo laivos de sangue vivo, dispersos pelo comedouro [o local onde tantas vezes vi a hamster em busca de comida com que enchia as bochechas ou logo ali remoía, toda curvada numa encantadora posição].
O filho mais velho, seu tutor, pergunta sobre as possibilidades de recuperação…
“Infelizmente…
As dúvidas e hesitações da médica preocupam-no, mas não lhe retiram a esperança.
E o filho mais novo também acredita … ele, sim, que sempre tão bem cuidou  dela, muito especialmente naqueles sete meses, em que o irmão esteve na Faculdade.
“Vermelho vivo” – a imagem persiste… invade a alma, “sangue do meu sangue”- vem à memória a frase da canção que tantas vezes ouvi na rádio. E não contive as lágrimas que me banharam o rosto.
- Não sei como querem fazer?! – pergunta a médica.
- Continua internada – afiança logo a mãe que sabe que em casa não lhe poderíamos dar a assistência especializada como a do Hospital.
E assim aconteceu.
Saímos abalados e incrédulos com aquilo que estava a acontecer à Áurea, prostrada e irreconhecível… e logo ela, geniquenta criatura!
Difíceis as horas que iam passando sem boas novas.
“Sangue do meu sangue…” – a música matraqueava na cabeça e fazia jus aos laços afectivos,   que nos ligavam áquela “menina”.
Nessa noite em casa a noite não caiu.
No dia seguinte, ao meio-dia, antes da refeição, no Casablanca, a notícia caiu que nem bomba:  e, então, ali mesmo, unidos pelo pão e pelo amor eternizado no filme, dissemos até sempre ao mais simpático e querido dos seres vivos.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Fumo branco, fumo negro


Aconteceu na Escola…
Acontecem coisas na escola que julgava, há muito, arredadas do seu seio, mas não!
Puro engano.
Tudo nasceu de um cheiro a fumo no balneário, que o funcionário comunicou à docente.
Esta, no dia seguinte, participa ao Director relatando que um aluno queimara um teste antigo e outro assistira ao facto. Sublinho: participou factos que os meninos assumiram, logo que confrontados por ela.
Uma semana depois o segundo aluno é ouvido em processo de averiguações, com todos os contornos aparentes de processo disciplinar.
Referiu, ele, que apenas vira o colega de turma a queimar uma folha enrolada.
Apesar disso, a instrutora, ao longo da audição, fez perguntas indutoras da resposta que pretendia obter, em tom intimidatório, dizendo que “não te esqueças que há outras pessoas que já foram ouvidas … posso pôr aqui que participaste?
E, no final da inquirição, disse para o menino “de certeza que te será aplicada uma medida disciplinar - ipsis verbis, sem nunca sequer ter especificado a espécie ou modalidade, deixando pairar no ar a ameaça de que seria grave.
Qual medida? – interrogávamo-nos, procurando resposta no Regulamento Interno, mas em vão.
Durante os dias que se seguiram [e foram oito!], em casa, instalou-se a inquietação em todos os membros da família.
Até que, ontem à tarde, recebemos a notificação do arquivamento da participação: num categórico despacho de oito linhas o director concluiu que, relativamente ao segundo menino, não havia qualquer facto que lhe fosse imputável. E, quanto ao autor, “por os factos não revelarem gravidade que justifique a aplicação de medidas disciplinares", determinou o arquivamento.
- Fumo branco! - nem queria acreditar, que alívio!
Após dias negros de incerteza, a boa nova.

O “fumo branco” da escola tem um sabor especial e muito mais intenso do que aquele outro, da mesma cor, com que o Vaticano anuncia o “habemus papam”.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Divino Sospiro

A orquestra dirigida por Massimo Mazzeo vai abrir, logo à noite, o Festival de Música da Primavera de Viseu.
Creio que vai ser um concerto único.
As emoções estão à flor da pele!
Durante os dias do festival,
a cidade abre as portas ao mundo...



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz 2013


…MÚSICA

Não tenho palavras. Nem sequer um ponto de exclamação. Só o silêncio e a contemplação da música, da ideia da música; não a mesma ideia que Mozart, ou Bach, ou Mahler, ou Beethoven, ou Satie, ou Chopin ou tantos, mas tantos outros tiveram.
Limito-me a ouvir a música que os meus sentidos desejam.
Toda a música. Consigo ouvir os sons harmoniosos ou violentos do planeta Terra onde nasci, o som da terra, da água, do vento, o som das cores, a melodia da alegria, o barulho produzido pelo silêncio da morte.
Posso transformar toda a ideia da vida em ideia de música…
Posso ser eu a música. É só eu querer…
(…)
CRISTINA CARVALHO

“…Música”

in Divina Música,


Feliz ano novo a todos os amigos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ATLAS

De Ana Borralho e João Galante

Um projecto com a comunidade, que, no último sábado, aquela dupla de actores/cocriadores pôs em cena no Viriato.

“Se um professor de Matemática incomoda muita gente” – dizia o interveniente – “dois professores de matemática incomodam muito mais” – respondiam, em uníssono, os outros.

“Se dois desempregados incomodam muita gente” – dizia outro, “três desempregados incomodam muito mais”, de novo em coro. E, assim, sucessivamente, foram desfilando até à centésima pessoa.
Pelo meio, alguns participantes contaram uma história de vida, que muito contribuiu para o enriquecimento do espectáculo.
A peça termina com todo o mundo em palco, numa verdadeira explosão de alegria pela sensação do dever cumprido, à mistura com sentimentos de regozijo pela graça e força solidária que irradiava daquele maravilhoso grupo.
Muitas emoções, à flor da pele: curioso o facto de, surpreendentemente, aparecerem em palco pessoas que só conhecíamos como profissionais nos seus locais de trabalho, desempenhando o seu papel com muito brilho!
Por momentos, conseguimos esquecer os tempos difíceis que vivemos, e, através da palavra, também ali foram lembrados!

Um dos motores desta peça, é a ideia do artista plástico Joseph Beuys: “A revolução somos nós, e cada homem um artista”.
“Uma revolução silenciosa” – dizia o folheto de sala que guardo religiosamente!
Sei que a peça já foi representada em diversas cidades. A de Viseu foi uma das melhores - foi a opinião de um organizador.
O projecto continuará noutras paragens, até no estrangeiro.

Já tenho saudades!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O céu aparece cinzento

O céu aparece cinzento, escuro. Negro, mesmo.


E cai água em pleno Verão.

Suspiro de alívio!

Dou comigo a pensar que só a chuva afasta de vez o medo terrível provocado pela vaga de incêndios que todos os anos nos aflige como um autêntico pesadelo!

De pouco ou nada valem os dinheiros públicos que o Estado coloca nas mãos das diversas entidades para implementação de medidas de combate aos fogos, ufanosamente anunciadas na abertura da ‘época’!

Rezo a todos os Santos pela chuva… avizinham-se tempos difíceis: área ardida, fauna e flora ameaçadas, falta de água, desertificação, etc., Mais um rude golpe nas condições de quem vive no interior...sempre o mesmo “pagante” da factura…

Um velho problema, que deveria ser atacado com medidas estruturais e drásticas, mas não. Pelo contrário, vemos que apenas é abordado com paliativos de nula eficácia.

Este verão não foge á regra!

Valha-nos a Natureza… única que ouve o apelo, mas, qualquer dia, até ela… aturdida pelas inexoráveis crises climáticas, terá alguma dificuldade na matéria!

Cai água em pleno Verão. Será um sonho!?

Valha-nos Deus!





P.S.Estarei ausente, durante algum tempo. Muito agradeço a todos os amigos que me visitam e deixam palavras inesquecíveis, sempre tão motivadoras! Obrigado.