quinta-feira, 2 de setembro de 2021

As árvores das ruas são para dar sombra e despoluir o meio urbano

(...) A quantidade de oxigénio (O2) necessária para a vivência saudável de um indivíduo da espécie humana num espaço urbano é correspondente ao oxigénio produzido por uma superfície foliar de 150 metros quadrados. Feitos os cálculos, verifica-se que cada indivíduo necessita, teoricamente, de 40 metros quadrados de espaço verde num ambiente urbano. Desta área, corresponderão, para cada habitante, dez metros quadrados de espaço localizado próximo da respectiva habitação, até um raio de acessibilidade de 400 metros, sendo os restantes 30 metros quadrados por habitante destinados ao espaço verde integrado na estrutura verde principal do agregado populacional. Não me parece que haja qualquer cidade portuguesa nestas condições, embora o Funchal seja, quanto a mim, a cidade portuguesa que mais se aproxima do espaço verde ideal num ambiente urbano e Viseu a cidade portuguesa com maior área relativa de artérias urbanas arborizadas. Actualmente, já existem amplos parques verdes urbanos em Portugal, como, por exemplo, o de Chaves, o da Boavista no Porto, o Parque do Fontelo em Viseu, o Choupal em Coimbra, o Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa, o Parque Urbano do Seixal e o Parque da Paz em Almada, o melhor deles todos, na minha opinião. Em vez de se diminuir a verdura nos agregados urbanos e arredores, ela tem de ser aumentada, de modo harmonioso e artístico, para que as cidades, vilas e aldeias sejam saudáveis. - citação do artigo publicado no jornal PÚBLICO, Domingo 11 de Abril de 2021, Jorge Paiva, Biólogo

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Bioterra: Arvoredo Público

Partilho o texto, belo e educativo, retirado do blog Bioterra com autorização de seu titular João Soares:
Arvoredo Público 
Por: Pedro Bingre do Amaral 

"Talvez por erro meu de perspectiva, talvez por azar, talvez por o meu gosto pelas árvores me tornar demasiado susceptível aos danos que se lhes causa, talvez por o meu ofício enviesar a minha percepção delas, sinto um grande abalo ao vê-las serem abatidas ou mutiladas sem razão atendível. Compreendo sem rebuço o corte raso de plantações destinadas à produção de madeira, quando as plantas atingem a maturidade e o volume lenhoso era o pretendido. A sociedade precisa de madeira, de papel e de lenha. Entendo a necessidade de se podarem árvores de fruto, com método cientificamente comprovado, de modo a aumentar a quantidade e a qualidade da colheita. Idem para certas árvores em exploração silvícola, quando se pretende minimizar o número de nós na madeira ou aprumar o fuste. Percebo a inevitabilidade de se talharem alguns ramos ou pernadas quando se der o caso estarem doentes, atacados por uma praga, ou mortos e em risco de queda, seja em árvores agrícolas, silvícolas ou ornamentais. Reconheço a vantagem de se fazerem algumas intervenções quase cirúrgicas, discretas e cuidadosas, nas árvores ornamentais de modo a melhorar a sua estética e os ângulos de visão ao seu redor. Dou como certa a conveniência de desbastar e desramar certas matas, de modo a reduzir o perigo e o risco de incêndio. Infelizmente, vejo o contrário disto acontecer um pouco por todo o país: deparo-me com incontáveis abates e mutilações (não encontro melhor termo) de árvores em espaço público, sem que se vislumbre qualquer justificação técnica, económica ou estética. Nas nossas ruas, praças e parques, inúmeras autarquias abatem as árvores de alinhamento ao mínimo pretexto, sem nunca cuidarem de replantar novos exemplares. As que restam de pé são anualmente estropiadas por alegadamente necessitarem de ser podadas, mesmo sendo evidente que nem essa operação é necessária, nem o resultado é outro senão o desperdício de dinheiros públicos e a vandalização de património público. Porque de património público se trata. Uma árvore de arruamento é um bem pertencente à Administração Pública. Observar funcionários públicos mutilarem ou abaterem árvores públicas sem justificação é tão perturbador quanto seria vê-los a usar o dinheiro dos contribuintes para destruir património desses mesmos contribuintes. Tenho visto árvores públicas, algumas delas centenárias, serem abatidas por "as suas raízes levantarem a calçada" (como se não fosse mais sensato alargar a caldeira e subir o pavimento). Outras são abatidas por "largarem folhas sobre os telhados"; ainda outras por "lançarem sombra". E sob estes pretextos absurdos vão sendo perdidas árvores plantadas pelas gerações dos nossos avós e bisavós, quando ainda não havia uma Lei de Bases do Ambiente mas em contrapartida o senso comum sabia dar valor ao arvoredo urbano. Pouco a pouco, naqueles municípios onde os autarcas negligenciam o arvoredo público o usufruto de um espaço arborizado se vai tornando privilégio possível apenas em prédios privados. Chegará o dia em que quem quiser sentar-se à sombra de uma árvore na cidade terá de plantar uma na varanda, como se pode apreciar neste edifício milanês


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Gonçalo Ribeiro Teles


O arquitecto morreu ontem!

O país está de luto.

Esperemos que o seu exemplo de vida venha a ser seguido!














domingo, 27 de setembro de 2020

Jornalismo de Excelência

Através do site da Imprensa Nacional Casa da Moeda tive conhecimento da recente criação do Prémio Jornalismo de Excelência Vicente Jorge Silva.

Congratulo-me pela excelente iniciativa, que vem homenagear o muito estimado e grande jornalista. 

Ouvi falar dele desde os primeiros tempos do Expresso, jornal que abandonou a fim de fundar o Público, de que foi director anos e anos. 

Os seus artigos cativavam pela qualidade, riqueza de conteúdo e beleza de estilo (devo dizê-lo sem receio) literário. 

Nicolau Santos é o presidente do júri que atribuirá periodicamente o prémio em causa. 

O site da INCM publicou as suas esclarecidas palavras sobre o homenageado:  "foi o jornalista mais importante na imprensa escrita em Portugal desde o início de 60 até aos anos 90 do século XX e deixou uma marca incontornável no panorama editorial, com 3 projectos indissociáveis da luta pela liberdade, pela democracia parlamentar e pelo cosmopolitismo internacional e cultural: o Comércio do Funchal, a Revista do Expresso e o Público."

Concordo plenamente e julgo que, enquanto houver profissionais como ele (e creio que os haverá, pelo menos aqueles que integraram a escola Vicente), teremos mais hipóteses na construção duma sociedade livre e esclarecida.

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Alberto Manguel

 

O escritor doa a sua biblioteca, cerca de 40 mil livros, à cidade de Lisboa.

O protocolo, que formaliza a vontade das partes envolvidas, foi assinado numa cerimónia no âmbito da feira do livro.


“Nas cerimónias de casamento na Argentina é costume dizer-se ao pai da noiva: ‘Não vais perder uma filha, vais ganhar um filho. Hoje digo a mim mesmo ‘Não vais perder uma biblioteca, vais ganhar uma cidade mágica. Obrigado”Foi com estas palavras que o escritor e bibliófilo terminou o seu discurso*. 

O acervo integrará o futuro Centro de Estudos de História da Leitura (CEHL), a instalar no palacete dos Marqueses de Pombal, junto ao Museu de Arte Antiga.

A propósito, Catarina Vaz Pinto, na qualidade de vereadora da Cultura, explicou ao jornal PÚBLICO (edição Sábado, 5Set2020) que será o próprio Manguel a dirigir o centro; e acrescentou que o equipamento constituirá “um grande polo de internacionalização” e “fará jus a Lisboa como cidade literária”.


A dádiva foi para mim uma enorme e agradável surpresa. Inicialmente até achei estranho que o escritor e bibliófilo tivesse escolhido o nosso país para confiar a mítica biblioteca, que há anos aguardava um lugar adequado para o efeito! Mais tarde percebi que  Bárbara Bulhosa, directora e fundadora da Tinta-da-China, teve um importante papel no desenvolvimento do processo que esteve na base da decisão do bibliófilo.

Espero que a instalação do Centro não se atrase, mas já sei, através da vereadora, que pode levar um a dois anos!... 

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* segmento tirado do artigo de Isabel Coutinho, PÚBLICO on line 12Set2020.

domingo, 5 de julho de 2020

O Futuro da Europa: a sua capacidade de ação


«… Esta pandemia submeteu a União à mais dura prova. Atingiu-nos a todos – mas não da mesma forma. As imagens das regiões mais afetadas sensibilizaram-me profundamente. O que podemos fazer, nesta crise global, só é solucionável a nível europeu: enquanto estados individuais estaríamos assoberbados face à situação.
Desde a última Presidência alemã, em 2007, dá-se agora mais uma vez início ao “Trio” formado juntamente por Portugal e pela Eslovénia. Elaborámos, em estreita cooperação, os respetivos programas nacionais de cada Presidência semestral. Em comum temos uma agenda pró-europeia clara e a vontade de sair desta crise com o vento a nosso favor – fortalecendo a resiliência económica, social e ecológica e a viabilidade futura da UE.»
MARTIN NEY*

*Embaixador da Alemanha em Portugal.
Nota: o texto é tirado do artigo que o ilustre diplomata publicou no Público em 30 de Junho de 2020.
São palavras reveladoras de uma enorme esperança.
Resta saber se o projecto, muito bem desenhado diga-se de passagem, é consequente!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Água que corre

O título é de MANUEL ANTÓNIO PINA, em magnífica crónica publicada no JN*, que ainda hoje mantém actualidade.
Dizia o poeta:
"Realiza-se em Serralves, dirigido a profissionais das indústrias criativas, o que quer que isso seja, um ciclo de conferências  sobre a propriedade industrial e intelectual. A propriedade constitui um interminável problema filosófico, e a noção de "propriedade intelectual" mais ainda, principalmente hoje, com a desmaterialização e multiplicação dos usos e das técnicas de comunicação e reproduz ção. No admirável "Perre Ménard, autor do Quixote", Borges coloca, não sem radical ironia, a questão da autoria. No limite, cada leitor (ouvinte, espectador) é um autor e cada leitura uma autoria. Ainda no limite, poderíamos mesmo perguntar de "quem" são as nossas palavras ou o modo como as usamos ou se ligam umas às outras, as nossas ideias, a própria ideia que temos de criação e concluir, com Prroudhon, que a propriedade, em especial, a intelectual é necessariamente um roubo e o autor um ladrão que rouba a outros ladrões. A autoria (contra mim falo, que sou autor) tem hoje inexplicável prestígio e a sua patética luta para impor barreiras jurídicas à comunitarização da criação é tentar agarrar água que corre."


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* Na coluna habitual POR OUTRAS PALAVRAS, de 11 de Novembro de 2009