Reportagem, Notícias Magazine, 18 Abril 2010
Num bairro da Amadora marcado pela exclusão social, onde os adultos vivem no desemprego e os que trabalham recebem pouco, onde os alunos deixam cedo a escola para, muitas vezes, a trocarem pela rua, algumas dezenas de crianças aprendem música clássica e mostram que o futuro pode ser melhor.
Já tocaram para grandes audiências em importantes salas de espectáculos do país e lá fora.
Um dia, farão parte do que será uma Orquestra Nacional Geração.
Texto: Carla Amaro; Fotografia: Paulo Alexandrino
A escola é a Miguel Torga (Agrupamento de escolas Miguel Torga) na Amadora, mas podia ser o Conservatório Nacional, pelo que se ouve, pelo que se vê. É que aqui, os miúdos que integram o projecto Orquestra Geração, uns da orquestra A, mais avançada, de que faz parte o Telmo, outros da B, a de Iara e de Leonardo, andam com um violoncelo ou uma tuba, ou uma flauta ou outro instrumento com a mesma naturalidade com que trazem livros e cadernos.
Estas crianças do Casal da Boba reproduzem a criação dos compositores clássicos tão bem como outras que aprendem nas melhores escolas de música.
O maestro Juan Carlos Maggiorani - ele próprio um "produto" deste projecto - não questiona que o coração delas é bom e grande. De outra maneira, como poderiam arranjar um lugar na sua vida para a música, deixar a música tomar-lhes conta da alma? Porque é isso que a música faz a quem a toca e a quem a ouve: invade, arrepia. Como esta que ensaiam agora, uma das cinco Marchas de Pompa e Circunstância, compostas para orquestra por Edwuard Elgar.
(...) Ana Espanha, «violoncelista» porque «o violoncelo é o instrumento mais parecido com a voz humana» não dissimula o entusiasmo: «Eu nem queria acreditar quando me vi à frente da rainha Rania. Estava um pouco nervosa, mas correu bem. Acho que estivémos à altura». A rainha viera a Portugal em Março do ano passado, a fim de receber o Prémio Norte-Sul, pelo seu trabalho de promoção dos Direitos Humanos, e deslocou-se de propósito a esta escola para conhecer e ouvir os pequenos músicos da orquestra Geração.
O objectivo da implementação do projecto venezuelano no nosso país é nobre pela carga social inerente, mas quem o está a orientar tem uma ambição maior: criar a primeira orquestra local juvenil - a Orquestra Sinfónica Juvenil Geração.
(...)Ideia conjunta da Câmara Municipal da Amadora, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Escola de música do Conservatório Nacional.
O Professor António Wagner Diniz, do Conservatório Nacional, esclarece que a ideia não é formar músicos profissionais, não se trata de um projecto musical. É um projecto que utiliza a música como uma ferramenta para fixar as crianças na escola e, desse modo, combater o abandono escolar.
A Professora Helena Lima, coordenadora pedagógico-executiva do projecto diz que já é possível aferir que «entre os trinta alunos do primeiro ciclo que frequentam a Associação Cabo-Verde, também na Amadora e onde já existe uma orquestra infantil, «não houve retenções e os professores assinalam mudanças significativas no comportamento da sala de aula». Na Miguel Torga «tem vindo a registar-se uma evolução positiva de comportamento na escola e na orquestra».
terça-feira, 8 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Valha-nos a bomba
O Mundo
dos Outros
coluna de José Cutileiro
As pessoas e os países devem estar sempre preparados para se defenderem de quem lhes queira fazer mal. Nem sempre conseguem: ao longo da história, povos inteiros - ou grupos perseguidos dentro de cada povo - sofreram, e, nalguns lugares, continuam a sofrer horrores. Antero de Quental esperava que a razão (e o irmão e a irmã dela - o amor e a justiça) fizesse prevalecer a virtude mas acabou desencantado: aos 49 anos meteu duas balas na cabeça num jardim público de Ponta Delgada.
Mesmo quem sobreviva à morte natural, sabe que não se pode distrair, e hoje, depois das catástrofes que os europeus causaram a si próprios e ao resto do mundo indo para a guerra em 1914 e 1939 e, sobretudo, dos "avisos à navegação" que foram Hiroshima e Nagasaki, as duas únicas cidades até agora destruídas por bombas atómicas, as nações têm muito mais cuidado do que alguma vez tiveram a tratar umas com as outras.
Que a guerra fria da segunda metade do século passado não se tenha transformado em guerra quente ficou a dever-se à existência dos arsenais nucleares americano e soviético.
Que nos dias de hoje a crise financeira e económica não tenha levado a mobilizações gerais, corridas a aramamentos e retóricas belicistas, deve-se a hábitos de relações pacíficas entre as potências impostos, em última análise, pela presença continuada de arsenais nucleares (aqueles e outros). Por isso, se procurardiminuir a quantidade de armas nucleares existentes - como americanos e russos estão a fazer - e impedir a sua proliferaçãoa a países que não as tenham são tarefas necessárias e urgentes, acabar com elas seria um erro crasso.
A natureza humana não mudou muito ao longo da História e em pouco tempo países que julgavam ter posto a guerra de parte recorreriam de novo a ela.
(...) Barack Obama tem mostrado mais bom senso do que ideologia. Mas pode haver um lado "escuteiro" nefasto nas relações dos Estados Unidos com o resto do mundo. Às vezes também é preciso defendermo-nos de quem nos queira fazer bem.
In Primeiro Caderno do jornal Expresso de 22 Maio de 2010
dos Outros
coluna de José Cutileiro
As pessoas e os países devem estar sempre preparados para se defenderem de quem lhes queira fazer mal. Nem sempre conseguem: ao longo da história, povos inteiros - ou grupos perseguidos dentro de cada povo - sofreram, e, nalguns lugares, continuam a sofrer horrores. Antero de Quental esperava que a razão (e o irmão e a irmã dela - o amor e a justiça) fizesse prevalecer a virtude mas acabou desencantado: aos 49 anos meteu duas balas na cabeça num jardim público de Ponta Delgada.
Mesmo quem sobreviva à morte natural, sabe que não se pode distrair, e hoje, depois das catástrofes que os europeus causaram a si próprios e ao resto do mundo indo para a guerra em 1914 e 1939 e, sobretudo, dos "avisos à navegação" que foram Hiroshima e Nagasaki, as duas únicas cidades até agora destruídas por bombas atómicas, as nações têm muito mais cuidado do que alguma vez tiveram a tratar umas com as outras.
Que a guerra fria da segunda metade do século passado não se tenha transformado em guerra quente ficou a dever-se à existência dos arsenais nucleares americano e soviético.
Que nos dias de hoje a crise financeira e económica não tenha levado a mobilizações gerais, corridas a aramamentos e retóricas belicistas, deve-se a hábitos de relações pacíficas entre as potências impostos, em última análise, pela presença continuada de arsenais nucleares (aqueles e outros). Por isso, se procurardiminuir a quantidade de armas nucleares existentes - como americanos e russos estão a fazer - e impedir a sua proliferaçãoa a países que não as tenham são tarefas necessárias e urgentes, acabar com elas seria um erro crasso.
A natureza humana não mudou muito ao longo da História e em pouco tempo países que julgavam ter posto a guerra de parte recorreriam de novo a ela.
(...) Barack Obama tem mostrado mais bom senso do que ideologia. Mas pode haver um lado "escuteiro" nefasto nas relações dos Estados Unidos com o resto do mundo. Às vezes também é preciso defendermo-nos de quem nos queira fazer bem.
In Primeiro Caderno do jornal Expresso de 22 Maio de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
Ferreira Gullar
Prémio Camões 2010: o poeta Ferreira Gullar, que fará 80 anos em Setembro, é o vencedor do Prémio Camões 2010. O vencedor foi anunciado pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas. A notícia destacou a obra de grande significado: Poema Sujo, escrito em 1975.
Ouvi a notícia através da Antena 2, ontem, 20h00, na viagem de regresso a casa, após acção de formação "Regime jurídico dos principais impostos".
A rádio pôs no ar a voz do poeta declamando um poema seu, que enobrece o povo. Extraordinária voz.
Instituído pelo Estado Português e Brasileiro em 1989, o Prémio Camões no valor de cem mil euros (50 mil pagos por cada Estado promotor) distingue anualmente um escritor de língua portuguesa que, pelo conjunto da sua obra, contribua para o enriquecimento do património literário em português.
O prémio é dado pelo segundo ano consecutivo a um poeta: em 2009 o premiado foi o caboverdiano Arménio Vieira.
Ouvi a notícia através da Antena 2, ontem, 20h00, na viagem de regresso a casa, após acção de formação "Regime jurídico dos principais impostos".
A rádio pôs no ar a voz do poeta declamando um poema seu, que enobrece o povo. Extraordinária voz.
Instituído pelo Estado Português e Brasileiro em 1989, o Prémio Camões no valor de cem mil euros (50 mil pagos por cada Estado promotor) distingue anualmente um escritor de língua portuguesa que, pelo conjunto da sua obra, contribua para o enriquecimento do património literário em português.
O prémio é dado pelo segundo ano consecutivo a um poeta: em 2009 o premiado foi o caboverdiano Arménio Vieira.
Homossexuais no Estado Novo
A jurista Tereza Pizarro Beleza, que faz o prefácio do livro Homosexuais no Estado Novo, da jornalista São José Almeida, irá apresentar a obra, com o Professor da Universidade Nova, António Fernando Cascais, hoje às 18h30, no El Corte Inglês, em Lisboa.
in Público. Quinta-feira 20 Maio 2010
in Público. Quinta-feira 20 Maio 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Prémio Lost Booker 1970
E o prémio Lost Booker 1970 foi para J. G. Farrell
Isabel Coutinho
.Quarenta anos depois de ter sido publicado, Troubles, de J. G. Farrell, é o vencedor do Lost Man Booker Prize , recuperado para as obras publicadas em 1970 - ano em que o prémio britânico não foi atribuído.
O livro recebeu 38por cento dos votos de leitores de todo o mundo, que votaram no website do Booker Prize. O escolhido teve mais do dobro dos votos do que qualquer um dos outros candidatos. Passado em 1919, o romance contaa história de um oficial do exécrcitro britânico, o major Brendan Archer. (...) os seis livros da shortlist: (...) Fire from Heaven, de Mary Renault, (Arrow, editado em Portugal pela Assírio e Alvim com o título Fogo do Céu).
O autor morreu em 1979.
O prémio Booker não foi entregue porque em 1971 as regras do concurso mudaram. Se até 1970 distinguia livros publicados nos doze meses anteriores, a partir de 1971 tornou-se num prémio para o melhor romance publicado no mesmo ano, deixando de fora as obras publicadas em 1970.
O vencedor foi ontem anunciado por Lady Antonia Fraser, que foi jurasda das edições dos Prémios Booker Prize em 1970 e 1971, numa cerimónia em Londres. O irmão do escritor recebeu o prémio.
in Público.Quinta feira 20 Maio 2010
Isabel Coutinho
.Quarenta anos depois de ter sido publicado, Troubles, de J. G. Farrell, é o vencedor do Lost Man Booker Prize , recuperado para as obras publicadas em 1970 - ano em que o prémio britânico não foi atribuído.
O livro recebeu 38por cento dos votos de leitores de todo o mundo, que votaram no website do Booker Prize. O escolhido teve mais do dobro dos votos do que qualquer um dos outros candidatos. Passado em 1919, o romance contaa história de um oficial do exécrcitro britânico, o major Brendan Archer. (...) os seis livros da shortlist: (...) Fire from Heaven, de Mary Renault, (Arrow, editado em Portugal pela Assírio e Alvim com o título Fogo do Céu).
O autor morreu em 1979.
O prémio Booker não foi entregue porque em 1971 as regras do concurso mudaram. Se até 1970 distinguia livros publicados nos doze meses anteriores, a partir de 1971 tornou-se num prémio para o melhor romance publicado no mesmo ano, deixando de fora as obras publicadas em 1970.
O vencedor foi ontem anunciado por Lady Antonia Fraser, que foi jurasda das edições dos Prémios Booker Prize em 1970 e 1971, numa cerimónia em Londres. O irmão do escritor recebeu o prémio.
in Público.Quinta feira 20 Maio 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Palestra
Palestra
António Lobo Antunes casa-se hoje com a directora da revista vip, cristina ferreira de almeida, noticiou ontem o Correio da Manhã. (...) A lua-de-mel, ainda segundo faz saber o CM, será em Bruxelas, onde o escritor vai dar uma palestra. - in Público P2 . Quarta-feira 19 Maio 2010
António Lobo Antunes casa-se hoje com a directora da revista vip, cristina ferreira de almeida, noticiou ontem o Correio da Manhã. (...) A lua-de-mel, ainda segundo faz saber o CM, será em Bruxelas, onde o escritor vai dar uma palestra. - in Público P2 . Quarta-feira 19 Maio 2010
Património português no mundo reunido em três livros
É uma tentaiva de sistematização dos conhecimentos relativos ao património de origem portuguesa no mundo: a fundação Gulbenkian lança no dia 24 o primeiro de um conjunto de três livros resultantes de um projecto coordenado pelo historiador José Mattoso.
O primeiro volume diz rspeito à América do sul e foi dirigido pela arquitecta e historiadora brasileira Renata Malcher Araújo. - in Público . Quarta -feira 19 Maio 2010
É uma tentaiva de sistematização dos conhecimentos relativos ao património de origem portuguesa no mundo: a fundação Gulbenkian lança no dia 24 o primeiro de um conjunto de três livros resultantes de um projecto coordenado pelo historiador José Mattoso.
O primeiro volume diz rspeito à América do sul e foi dirigido pela arquitecta e historiadora brasileira Renata Malcher Araújo. - in Público . Quarta -feira 19 Maio 2010
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