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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sernancelhe

Sernancelhe, sábado, numa noite de fim de Verão.
Sobe ao palco o Duo de Sousa, com guitarra portuguesa e clássica, que nos brinda com um som intenso, límpido e cristalino, perfeitamente adequado ao rigor e exigência dos momentos iniciais de um grandioso concerto!
Segue-se-lhe a actuação da “Guitarrofonia", um ensemble de guitarras constituído por alunos e professores de diversos Escolas do Ensino Especializado da Música.
Interpreta, de forma sublime, “The Typewriter”, obra de Leroy Anderson, em que o instrumento/solo é uma máquina de escrever. O som da máquina combina maravilhosamente com o das guitarras! Nunca visto!
E, com este espectáculo, encerrou o 13º Concurso e Festival de Guitarra Clássica – 2011 (de 7 a 10 de Setembro).
É sempre um prazer regressar a uma terra que se orgulha de manter bem vivas as tradições. Vila cheia de pergaminhos históricos, com pelourinho, igreja matriz de traça românica, muralha do antigo castelo, solares e outros edifícios medievais muito bem conservados.
O auditório encheu por completo. Muita gente nova, crianças e famílias inteiras marcaram presença!
Noite mágica que, por breves instantes, transformou aquele lugar de música e encantamento no centro da terra!
Fico á espera que ilumine e transforme também as mentes dos responsáveis pela cultura deste país.
- Quando será que se convencem que os acontecimentos deste género e envergadura precisam de ser mais apoiados?

terça-feira, 29 de março de 2011

Música da Primavera


O 4º Festival de Música da Primavera de Viseu [parceria da Câmara Municipal e Conservatório de Música Dr. José Azeredo Perdigão], prossegue hoje com mais um concerto, pelas 21h30, nos Paços do Concelho.

Cabeça de cartaz: SUI GENERIS ENSEMBLE, Música de Cãmara.

Programa: "Fantasia" de Gabriel Fauré, com Ziliane Teixeira [flauta transversal] e Cheisa Goulart [piano]; "Cinq Danses exotiques" de jean Françaix, com José Eduardo Magalhães [saxofone]; "Choro" de Benny Wolkoff, com Luís Rocha [fagote]e Cheisa Goulart [piano]; "Vocalise" de Serge Rachmaninof, com Vânia Moreira [violoncelo] e Cheisa Goulart [piano]; "Quarteto para flauta transversal, saxofone alto, fagote e violoncelo"; "Memórias (tríptico)" de Pedro Iturralde.

Obrigatório.

sábado, 11 de setembro de 2010

Rota mundial da guitarra clássica

Chopin, Nocturne op.9 Nº 2 e Nocturno op. 32 nº 1, arranjos de Elena Papandreou para guitarra clássica (guitarra, disse bem!), tocados pela autora, num extraordinário Espectáculo, ontem à noite, em Sernancelhe, no âmbito do Concurso e Festival Internacional de Guitarra Clássica.
A guitarrista grega, que actuou a solo, fez uma interpretação brilhante, não só nos famosos nocturnos, mas também em todas as outras obras que fizeram parte do programa.

Finalizou com "Triaela" [dedicado à própia intérprete pelo compositor Roland DYENS (1955 )], que inclui: - Ligth Motif [Takemitsu au Bresil], Black Horn [when Spain meets Jazz] e Clown Down [ Gismonti au Cirque]. Jazz com sabor a samba. Um nível muito alto.
Ao ouvi-la, no final, recordei aquele excepcional "LP", do tempo do vinil, "Mágico", que contém a bela composição do Gismonti, "PALHAÇO", superiormente interpretada pelo próprio ao piano, Charlie Haden no Baixo e Jan Garbarek no Saxofone. que trio, meu Deus!
Rendido à classe da guitarrista, o público presenteou-a com acalorado e vigoroso aplauso.
A artista correspondeu, emocionada, com dois lindos "encores".
Noite inesquecível, passada no auditório Municipal, edifício integrado no Centro Histórico, antiga sede da Câmara, muito bem adaptado à sua actual finalidade.
E já vai na 12ª edição!
Parabéns à Direcção Artística: Paula Sobral e José Carlos de Sousa e à Câmara Municipal de Sernancelhe.
O livrinho do programa advertia: "Devido á seriedade e elevado nível de execução é imperativo o silêncio absoluto do público..."
Tudo se cumpriu.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Música para os manter na escola

Reportagem, Notícias Magazine, 18 Abril 2010
Num bairro da Amadora marcado pela exclusão social, onde os adultos vivem no desemprego e os que trabalham recebem pouco, onde os alunos deixam cedo a escola para, muitas vezes, a trocarem pela rua, algumas dezenas de crianças aprendem música clássica e mostram que o futuro pode ser melhor.
Já tocaram para grandes audiências em importantes salas de espectáculos do país e lá fora.
Um dia, farão parte do que será uma Orquestra Nacional Geração.

Texto: Carla Amaro; Fotografia: Paulo Alexandrino

A escola é a Miguel Torga (Agrupamento de escolas Miguel Torga) na Amadora, mas podia ser o Conservatório Nacional, pelo que se ouve, pelo que se vê. É que aqui, os miúdos que integram o projecto Orquestra Geração, uns da orquestra A, mais avançada, de que faz parte o Telmo, outros da B, a de Iara e de Leonardo, andam com um violoncelo ou uma tuba, ou uma flauta ou outro instrumento com a mesma naturalidade com que trazem livros e cadernos.
Estas crianças do Casal da Boba reproduzem a criação dos compositores clássicos tão bem como outras que aprendem nas melhores escolas de música.
O maestro Juan Carlos Maggiorani - ele próprio um "produto" deste projecto - não questiona que o coração delas é bom e grande. De outra maneira, como poderiam arranjar um lugar na sua vida para a música, deixar a música tomar-lhes conta da alma? Porque é isso que a música faz a quem a toca e a quem a ouve: invade, arrepia. Como esta que ensaiam agora, uma das cinco Marchas de Pompa e Circunstância, compostas para orquestra por Edwuard Elgar.
(...) Ana Espanha, «violoncelista» porque «o violoncelo é o instrumento mais parecido com a voz humana» não dissimula o entusiasmo: «Eu nem queria acreditar quando me vi à frente da rainha Rania. Estava um pouco nervosa, mas correu bem. Acho que estivémos à altura». A rainha viera a Portugal em Março do ano passado, a fim de receber o Prémio Norte-Sul, pelo seu trabalho de promoção dos Direitos Humanos, e deslocou-se de propósito a esta escola para conhecer e ouvir os pequenos músicos da orquestra Geração.
O objectivo da implementação do projecto venezuelano no nosso país é nobre pela carga social inerente, mas quem o está a orientar tem uma ambição maior: criar a primeira orquestra local juvenil - a Orquestra Sinfónica Juvenil Geração.
(...)Ideia conjunta da Câmara Municipal da Amadora, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Escola de música do Conservatório Nacional.
O Professor António Wagner Diniz, do Conservatório Nacional, esclarece que a ideia não é formar músicos profissionais, não se trata de um projecto musical. É um projecto que utiliza a música como uma ferramenta para fixar as crianças na escola e, desse modo, combater o abandono escolar.

A Professora Helena Lima, coordenadora pedagógico-executiva do projecto diz que já é possível aferir que «entre os trinta alunos do primeiro ciclo que frequentam a Associação Cabo-Verde, também na Amadora e onde já existe uma orquestra infantil, «não houve retenções e os professores assinalam mudanças significativas no comportamento da sala de aula». Na Miguel Torga «tem vindo a registar-se uma evolução positiva de comportamento na escola e na orquestra».