O céu aparece cinzento, escuro. Negro, mesmo.
E cai água em pleno Verão.
Suspiro de alívio!
Dou comigo a pensar que só a chuva afasta de vez o medo terrível provocado pela vaga de incêndios que todos os anos nos aflige como um autêntico pesadelo!
De pouco ou nada valem os dinheiros públicos que o Estado coloca nas mãos das diversas entidades para implementação de medidas de combate aos fogos, ufanosamente anunciadas na abertura da ‘época’!
Rezo a todos os Santos pela chuva… avizinham-se tempos difíceis: área ardida, fauna e flora ameaçadas, falta de água, desertificação, etc., Mais um rude golpe nas condições de quem vive no interior...sempre o mesmo “pagante” da factura…
Um velho problema, que deveria ser atacado com medidas estruturais e drásticas, mas não. Pelo contrário, vemos que apenas é abordado com paliativos de nula eficácia.
Este verão não foge á regra!
Valha-nos a Natureza… única que ouve o apelo, mas, qualquer dia, até ela… aturdida pelas inexoráveis crises climáticas, terá alguma dificuldade na matéria!
Cai água em pleno Verão. Será um sonho!?
Valha-nos Deus!
P.S.Estarei ausente, durante algum tempo. Muito agradeço a todos os amigos que me visitam e deixam palavras inesquecíveis, sempre tão motivadoras! Obrigado.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
O homem-povo
Hoje, na sua terra natal, vai ser homenageado o homem-povo: o parque infantil vai ter o seu nome. .
Partiu num momento de solidão, que, nos últimos tempos, frequentemente o assolava.
Partiu num momento de solidão, que, nos últimos tempos, frequentemente o assolava.
Um homem bom. lutador incansável que, enquanto membro da autarquia local, defendia acerrimamente a população, principalmente a mais carenciada.
Os membros da autarquia, familiares e amigos prestam-lhe uma digna e merecida homenagem.
sábado, 9 de junho de 2012
áurea menina
“É possível que, na queda, se tenha magoado um pouco. E, por causa da dor, se tenha retraído, a fim de passar despercebida: uma atitude típica da espécie, que, como presa habitual, precisa de “enganar” os predadores, em luta pela sobrevivência.”
As surpreendentes palavras trouxeram algum alívio. Será que, afinal, a doença não seria tão grave como nos parecera?
A verdade é que havia dois dias que toda a família andava preocupada com o estado de saúde da hamster. Tudo começou quando o bicho apareceu, pela manhã, a tiritar de frio, fora da gaiola, a um canto da sala. Será que caiu e se magoou? Será que o frio da noite gélida, fora do aconchego do ninho, lhe teria feito mal?
As espreitadelas à gaiola sucediam-se a toda a hora, observando a evolução do animal … que nos parecia sem genica, não comia nem bebia… e passava a vida no ninho. A preocupação estampou-se no semblante de toda a família!
- Temos que a levar ao veterinário!
Coube-me a tarefa. Mil cuidados no transporte, primeiro no automóvel e depois ao colo até à consulta.
“Então, o que tem esta menina?”
Mal a veterinária lhe pega, deu-lhe uma valente mordidela.
- Está com muita vitalidade!
Observa-a atentamente e desencadeia os procedimentos habituais, até que:
-Não lhe encontro nada de especial… aparentemente está bem. Recomendo apenas alguns pequenos cuidados e vigilância.
Explica que tudo se pode ter devido ao forte instinto de defesa pela sobrevivência.
Continuou cautelosa durante alguns dias, mas, pouco a pouco, recuperou totalmente. Olhos vivos e misteriosos. Sempre em movimento. E no dorso, o brilho e a cor de ouro [a que se deve o seu nome].
Encantador regresso à normalidade.
Nada melhor existe no mundo!
quarta-feira, 14 de março de 2012
Não posso adiar o amor para outro século
03.03.2012
“Hoje não quero falar de futebol! Hoje o que quero é felicitar-te pela celebração do aniversário! Oxalá que, quando fores ve…velhi… (desculpa, não é a palavra que queria dizer!...), oxalá que, nessa altura, tenhas saúde e os filhos a teu lado, os filhos… em harmonia. V a i j a n t a r f o r a e d i v e r t e – t e. É o q u e i m p o r t a !
O pai, cansado e ofegante, fala ao telefone, devagar. Parco nas palavras, mas muito claro e convincente em tudo quanto diz, como quem pretende transmitir algo de importante, essencial e, diria até, existencial. Parece-me que, no momento, à distância de 300 quilómetros, tenta dar o melhor que tem. Sinto, então, que, através do cabo telefónico, desagua à minha frente uma torrente de calor humano que toma conta de mim. Compreendo logo que só a fonte do amor é capaz de semelhante milagre!
Que homem de coragem! Que desprendimento em relação às coisas terrenas! Há dias, numa visita que fizémos, deu um crucifixo à filha, dizendo-lhe que o objecto, para ele, tinha muito valor e que por isso gostava de lho dar, interessante é dar o que gostamos - frisou.
Coisas simples, de extremo significado, que tocam a alma!
14.03.2012
Hoje vai à consulta de cardiologia no Hospital de Santa Maria. Mais um passo na difícil convalescença da fibrilação auricular que o levou ao internamento hospitalar!
Vai seguro, porque o médico é professor catedrático, uma sumidade na área da especialidade, sempre rodeado de médicos aprendizes [ como acontecia no seu tempo ao iniciar a carreira de estomatologista - faz questão de relembrar].
No momento em que escrevo o presente texto, recordo, emocionado, os dois episódios supra relatados; o eco das suas convictas palavras ressoa como uma benção!
Espero que receba boas novas!
Com certeza vai correr bem.
Que lição, meu Deus!
“Hoje não quero falar de futebol! Hoje o que quero é felicitar-te pela celebração do aniversário! Oxalá que, quando fores ve…velhi… (desculpa, não é a palavra que queria dizer!...), oxalá que, nessa altura, tenhas saúde e os filhos a teu lado, os filhos… em harmonia. V a i j a n t a r f o r a e d i v e r t e – t e. É o q u e i m p o r t a !
O pai, cansado e ofegante, fala ao telefone, devagar. Parco nas palavras, mas muito claro e convincente em tudo quanto diz, como quem pretende transmitir algo de importante, essencial e, diria até, existencial. Parece-me que, no momento, à distância de 300 quilómetros, tenta dar o melhor que tem. Sinto, então, que, através do cabo telefónico, desagua à minha frente uma torrente de calor humano que toma conta de mim. Compreendo logo que só a fonte do amor é capaz de semelhante milagre!
Que homem de coragem! Que desprendimento em relação às coisas terrenas! Há dias, numa visita que fizémos, deu um crucifixo à filha, dizendo-lhe que o objecto, para ele, tinha muito valor e que por isso gostava de lho dar, interessante é dar o que gostamos - frisou.
Coisas simples, de extremo significado, que tocam a alma!
14.03.2012
Hoje vai à consulta de cardiologia no Hospital de Santa Maria. Mais um passo na difícil convalescença da fibrilação auricular que o levou ao internamento hospitalar!
Vai seguro, porque o médico é professor catedrático, uma sumidade na área da especialidade, sempre rodeado de médicos aprendizes [ como acontecia no seu tempo ao iniciar a carreira de estomatologista - faz questão de relembrar].
No momento em que escrevo o presente texto, recordo, emocionado, os dois episódios supra relatados; o eco das suas convictas palavras ressoa como uma benção!
Espero que receba boas novas!
Com certeza vai correr bem.
Que lição, meu Deus!
*O título é “roubado” ao poema de António Ramos Rosa seleccionado por Maria Alzira Seixo na antologia “os poemas da minha vida”, edição do PÚBLICO, Junho de 2005.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Voz interior
Livre, poeta, livre!
A noite é o teu Jardim das Oliveiras:
Ninguém te vê, nem ouve, nem pressente.
Dormem os inimigos
E os amigos.
Corre, e canta a correr, água corrente!
Purifica o teu espírito mortal
Numa decantação de melodias.
Estrema o oiro do bem das areias do mal,
O oiro que te vem do fundo das galerias…
E quando a luz do sol chegar de novo,
Entrega ao desespero do teu povo
O poema de amor que lhe fizeste:
Meia dúzia de versos, que serão
Uma espécie de pão
Celeste.
M I G U E L T O R G A
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Ave da esperança
Passo a noite a sonhar o amanhecer.
Sou a ave da esperança.
Pássaro triste que na luz do sol
Aquece as alegrias do futuro,
O tempo que há-de vir sem este muro
De silêncio e negrura
A cercá-lo de medo e de espessura
Maciça e tumular;
O tempo que há-de vir – esse desejo
Com asas, primavera e liberdade;
Tempo que ninguém há-de
Corromper
Com palavras de amor, que são a morte
Antes de se morrer.
MIGUEL TORGA
Penas do Purgatório
(Poemas)
3ª Edição
Sou a ave da esperança.
Pássaro triste que na luz do sol
Aquece as alegrias do futuro,
O tempo que há-de vir sem este muro
De silêncio e negrura
A cercá-lo de medo e de espessura
Maciça e tumular;
O tempo que há-de vir – esse desejo
Com asas, primavera e liberdade;
Tempo que ninguém há-de
Corromper
Com palavras de amor, que são a morte
Antes de se morrer.
MIGUEL TORGA
Penas do Purgatório
(Poemas)
3ª Edição
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
A aceitação dos dias
Dá-se um rasgão no pálido do céu. Há dias
assim. Há dias em que sai pelo céu
uma ponta da alma. Há dias misteriosos
que entendemos, sem saber porquê.
Dias de imensa simplicidade em existir,
rosados, claros, incomensuráveis. De exercício
no abrir das labaredas. De aceitação
pura do branco. De permitir uma dança,
quebrada pelos rins, de todo o olhar. Do
esplendor radiado da invenção, em que flui
a lava do momento, a garra
cravada pelo dia. Mozart é
isso.
ISABEL CRISTINA PIRES
In Divina Música,
Antologia de Poesia, 2009
assim. Há dias em que sai pelo céu
uma ponta da alma. Há dias misteriosos
que entendemos, sem saber porquê.
Dias de imensa simplicidade em existir,
rosados, claros, incomensuráveis. De exercício
no abrir das labaredas. De aceitação
pura do branco. De permitir uma dança,
quebrada pelos rins, de todo o olhar. Do
esplendor radiado da invenção, em que flui
a lava do momento, a garra
cravada pelo dia. Mozart é
isso.
ISABEL CRISTINA PIRES
In Divina Música,
Antologia de Poesia, 2009
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