quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Alberto Manguel

 

O escritor doa a sua biblioteca, cerca de 40 mil livros, à cidade de Lisboa.

O protocolo, que formaliza a vontade das partes envolvidas, foi assinado numa cerimónia no âmbito da feira do livro.


“Nas cerimónias de casamento na Argentina é costume dizer-se ao pai da noiva: ‘Não vais perder uma filha, vais ganhar um filho. Hoje digo a mim mesmo ‘Não vais perder uma biblioteca, vais ganhar uma cidade mágica. Obrigado”Foi com estas palavras que o escritor e bibliófilo terminou o seu discurso*. 

O acervo integrará o futuro Centro de Estudos de História da Leitura (CEHL), a instalar no palacete dos Marqueses de Pombal, junto ao Museu de Arte Antiga.

A propósito, Catarina Vaz Pinto, na qualidade de vereadora da Cultura, explicou ao jornal PÚBLICO (edição Sábado, 5Set2020) que será o próprio Manguel a dirigir o centro; e acrescentou que o equipamento constituirá “um grande polo de internacionalização” e “fará jus a Lisboa como cidade literária”.


A dádiva foi para mim uma enorme e agradável surpresa. Inicialmente até achei estranho que o escritor e bibliófilo tivesse escolhido o nosso país para confiar a mítica biblioteca, que há anos aguardava um lugar adequado para o efeito! Mais tarde percebi que  Bárbara Bulhosa, directora e fundadora da Tinta-da-China, teve um importante papel no desenvolvimento do processo que esteve na base da decisão do bibliófilo.

Espero que a instalação do Centro não se atrase, mas já sei, através da vereadora, que pode levar um a dois anos!... 

_______________ 

* segmento tirado do artigo de Isabel Coutinho, PÚBLICO on line 12Set2020.

domingo, 5 de julho de 2020

O Futuro da Europa: a sua capacidade de ação


«… Esta pandemia submeteu a União à mais dura prova. Atingiu-nos a todos – mas não da mesma forma. As imagens das regiões mais afetadas sensibilizaram-me profundamente. O que podemos fazer, nesta crise global, só é solucionável a nível europeu: enquanto estados individuais estaríamos assoberbados face à situação.
Desde a última Presidência alemã, em 2007, dá-se agora mais uma vez início ao “Trio” formado juntamente por Portugal e pela Eslovénia. Elaborámos, em estreita cooperação, os respetivos programas nacionais de cada Presidência semestral. Em comum temos uma agenda pró-europeia clara e a vontade de sair desta crise com o vento a nosso favor – fortalecendo a resiliência económica, social e ecológica e a viabilidade futura da UE.»
MARTIN NEY*

*Embaixador da Alemanha em Portugal.
Nota: o texto é tirado do artigo que o ilustre diplomata publicou no Público em 30 de Junho de 2020.
São palavras reveladoras de uma enorme esperança.
Resta saber se o projecto, muito bem desenhado diga-se de passagem, é consequente!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Água que corre

O título é de MANUEL ANTÓNIO PINA, em magnífica crónica publicada no JN*, que ainda hoje mantém actualidade.
Dizia o poeta:
"Realiza-se em Serralves, dirigido a profissionais das indústrias criativas, o que quer que isso seja, um ciclo de conferências  sobre a propriedade industrial e intelectual. A propriedade constitui um interminável problema filosófico, e a noção de "propriedade intelectual" mais ainda, principalmente hoje, com a desmaterialização e multiplicação dos usos e das técnicas de comunicação e reproduz ção. No admirável "Perre Ménard, autor do Quixote", Borges coloca, não sem radical ironia, a questão da autoria. No limite, cada leitor (ouvinte, espectador) é um autor e cada leitura uma autoria. Ainda no limite, poderíamos mesmo perguntar de "quem" são as nossas palavras ou o modo como as usamos ou se ligam umas às outras, as nossas ideias, a própria ideia que temos de criação e concluir, com Prroudhon, que a propriedade, em especial, a intelectual é necessariamente um roubo e o autor um ladrão que rouba a outros ladrões. A autoria (contra mim falo, que sou autor) tem hoje inexplicável prestígio e a sua patética luta para impor barreiras jurídicas à comunitarização da criação é tentar agarrar água que corre."


________
* Na coluna habitual POR OUTRAS PALAVRAS, de 11 de Novembro de 2009

domingo, 30 de dezembro de 2018

Enquanto é tempo

Gosto muito de lugares como este.
São cada vez mais raros, por isso cada vez mais valiosos.
Coloco sempre a questão como preservá-los e se ainda é tempo?

 
Dou comigo a pensar que cada vez há menos preocupação com a defesa da Natureza!
Como é possível haver alguém que diz o problema do aquecimento do planeta constitui uma invenção dos chineses?  
Neste período, de fim de ciclo, em que se prepara o início de um novo ano, por que é que o mundo não dá as mãos, na luta contra as causas e malefícios das alterações climáticas?

domingo, 2 de dezembro de 2018

Um dia no museu

Chegámos mais cedo, a fim de ultimar os preparativos para a sessão marcada para as 15:30.
Os músicos João Paulo Sousa e  Miguel Martins já lá estavam, de mãos arregaçadas, afinando as guitarras e soltando os primeiros acordes.
E ainda bem: foi mais fácil o acerto dos passos que cada um teria de dar para a interligação entre a Palavra e a Música, ficando, cada um dos intérpretes, cientes do seu papel.
Alguns minutos após a hora, entraram as últimas pessoas.

Paula Cardoso, a Directora, abriu a sessão, dando as boas vindas, de forma muito emocionada, não só pela importância do acontecimento, mas também pelo facto de se ter prevalecido do ensejo para se despedir do cargo, que brevemente conhecerá a sucessora.
Isabel Cabral, a embaixadora da Língua Espanhola, fez o habitual discurso de apresentação do evento, que incluiu uma sucinta explicação sobre a natureza, estrutura e fins da Fundación Cesar Egído Serrano e do Museo de La Palabra, seu instrumento em Toledo.
Soares Marques, ilustre Orador, brindou-nos com uma divertida exposição sobre  "O Poder da Palavra", deambulando pelos inúmeros caminhos da História, Literatura, Linguística, desde os primórdios ("No início era o Verbo"- frase do Evangelho, bem adaptada ao momento) até aos nossos dias.
Intérpretes da Palavra e da Música (o trinado das cordas foi maravilhoso) deram o seu melhor.
No final, todos (público incluído) uniram-se à volta da mesa e brindaram com o néctar dos deuses (Quinta do Perdigão).

sábado, 1 de dezembro de 2018

A Palavra Dita

"Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos /A paz sem vencedor e sem vencidos !" - gritou Isabel Cabral, quando recitava o poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, na sessão comemorativa do Dia Internacional da Palavra - 24 de Novembro de 2018 *-, realizada no Museu Nacional Grão Vasco.

"Dai-nos, Senhor, a paz! - clamou mais uma vez, e outra, e outra... tantas quantas as necessárias para acordar alguém do estado de letargia em que possa ter caído. Foi oportuna a selecção do poema: é preciso que  , perante a grave violência da sociedade actual, as pessoas reajam e se indignem! É preciso lembrar o papel da Palavra: unir os povos e as religiões.
Houve leitura de poemas para todos os gostos, desde Pessoa (lido deliciosamente pelo José Maria Costa) até António Gedeão, passando por Ary dos Santos, Pablo Neruda e José Jorge Letria

* - o Dia Internacional da Palavra foi criado pela Fundacion Egido Serrano.
O Museo de la Palavra é o instrumento ao seu dispor para levar a cabo as diversas actividades de divulgação da língua espanhola em todo o mundo. Tem como lema: "A palavra é o vínculo da humanidade" . .