quinta-feira, 7 de julho de 2011

Vive as vidas

VIVE AS VIDAS, UMA A UMA,
sem os sonhos confundir;
eu vou para baixo, para cima,
sou outro, sem outro ser.


Paul Celan
in "A Morte É Uma Flor"
(Poemas do Espólio)
Cotovia

Sempre existirá
o dia em que a jornada é mais dura!
Regresso à postagem que, ao contrário do que se possa pensar, afinal, faz falta.
Quem diria?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Festa

Sábado, a meio da tarde, levo o filhote à “festa de aniversário” do amigo, colega de classe.
Um percurso de quarenta quilómetros para a aldeia da Corredoura, lugar onde se situa a quinta, propriedade da família do aniversariante, em plena região de Lafões.
Chegamos. O palco da celebração está emoldurado por vegetação: muitos verdes, água e espaço para jogos ao ar livre... coisas cada vez mais raras. Diria até, uma preciosidade, já que, nos dias de hoje, a maior parte das festas, deste tipo, são efectuadas no interior de centros comerciais e quintinhas “temáticas” (nome pomposo para esconder misérias imaginativas; já nem falo daquela ideia de “encafuar” as crianças dentro duma sala de cinema), nada apropriadas aos fins a que se destinam .
Mal chegámos, o filhote, num ápice, desapareceu, no meio de inúmeras crianças, a coberto da Mãe Natureza, ali com tão ricas manifestações.
- Fique… muito gostaria… que participasse.
- Não, obrigado! A festa é para os filhos – e saí em direcção ao carro.
Atravesso a rua empedrada e, num relance, olho para o horizonte: lá longe, a serra e os povoados dispersos, um regalo para os olhos. Observo então, a poucas dezenas de metros, um apeadeiro.
- Afinal, ali tão perto, a extinta e saudosa linha do Vale do Vouga!
De imediato a memória me fez recuar no tempo…, levou-me algures, até ás entranhas daqueles montes e vales, onde passara as férias da minha infância. O meio de transporte era o comboio. Os passageiros eram largados no apeadeiro, que, a partir dali, tinham que calcorrear dois quilómetros para chegar ao destino - a “casa do capitão” , na quinta do Faleiro. Um lugar próximo do rio, bucólico, paradisíaco.
Incrível, a memória: vejo à minha frente o menino do Faleiro que acorda com o chilreio dos pássaros. Levanta-se, reza a oração matinal, corre em direcção ao rio, mergulha na água fria e joga com os colegas à “bola dos quadrados”.
Incrível, como me acompanha pela ponte do tempo!
No final da tarde, apresento-o aos convivas.
Ninguém o reconhece.
Mas, a ponte do tempo conta agora com, pelo menos, mais um transeunte.
Coisa simples que liga a vida!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Cegonhas guerreiras

O espectáculo impressiona: cegonhas e mais cegonhas, na auto-estrada! Umas, em pleno voo, outras nos seus ninhos, implantados no cimo dos pórticos da sinalização e dos postes de energia de alta tensão na margem da via.
E ali vivem, impávidas e serenas, completamente alheias ao intenso tráfico rodoviário.
Delas me apercebi, há cerca de dois anos. Um regalo, todos os dias, de manhã, em deslocação para o trabalho e, no final do dia , de regresso a casa.
No início do primeiro Inverno, esperava que, pela natureza migratória, partissem em direcção ás terras quentes, do Norte de África, fugindo dos invernos rigorosos da região.
Mas, não!
Entrámos na estação fria, e, apesar das intempéries, vendavais... elas ali permaneciam, seguras, belas, perseverantes e sem sinais de fraqueza.
Surpreendentemente, passaram ali todo o Inverno.
Chega a Primavera.
- Bem,
pensei,
talvez a actual crise climática tivesse confundido o instinto dos animais, de tal modo que já não distinguiam as estações do ano!
ou a suavidade dos invernos tornou desnecessária a migração das aves?!
O certo é que, no inverno seguinte, lá continuavam elas, firmes no seu local adoptado para viver ininterruptamente.
Eis senão quando, determinada manhã, gélida e cinzenta, desapareceram os ninhos e os seus habitantes! Uma razia, sem deixar rasto.
Teria sido o vendaval que os derrubara?! Talvez. Por que não, se eles são, aparentemente, tão frágeis?
Achei estranho, mas, aceitei a dura realidade: um desastre!
Como seria agora, no futuro, ver-me privado daquela pequena maravilha que diariamente me era oferecida pela natureza?
Mas... no dia seguinte, surpreendentemente, verifiquei que, à margem da via, se erguiam cinco postes coroados, artificialmente, com ninhos semelhantes aos naturais. Como é que eu nunca me tinha apercebido da sua existência? Só poderiam ter sido ali colocados, naquela altura!

Curioso, olhei atentamente para os pórticos, e constatei que exibiam, a todo o comprimento, arame farpado.
- Querem tirá-las dos pórticos, e deslocalizá-las para a margem da via.
E era.
Apenas duas ou três cegonhas sobrevoavam os céus. A maior parte desapareceu misteriosamente.
Pobre auto-estrada.
Os dias foram passando, até que, paulatinamente, começaram a aparecer de novo, pousando nos pórticos, ainda despidos das belas obras de arte.
Transportam nos seus fortes bicos fragmentos de ramos secos e outras substâncias que depositam engenhosamente nas traves e painéis de sinalização. Ramo sobre ramo, constroem de novo seus ninhos, ludibriando completamente os intentos do homem.
Regressou a vida àquele local.
Em plena primavera, os ninhos enchem-se de filhotes que espreitam para este mundo acelerado dos automóveis e da poluição.
Vitória! - gritam
Segundo lenda popular, é por meio dessas aves que os bébés chegam aos pais.
Na infância, contaram-me que tinha vindo de Paris no bico duma cegonha!

Quem é que, agora, não acredita?

domingo, 1 de maio de 2011

Mãe

A minha mãe

O pai partira para a sua última Viagem.
Tanta dúvida: como seria a vida, na sua ausência? Como seria a Natureza, que passei a ver diminuída, mutilada, privada do seu melhor membro?
Sem nunca ter obtido resposta, achava que era feliz por ter a mãe na minha companhia!
Mas eis senão quando, menos de 365 dias depois, também ela é chamada.
30 de Março de 2009, foi o dia.

O dia em que, surpreendentemente, nunca me senti tão próximo de minha mãe.
O dia em que, finalmente, percebi o quanto ela me amava.
O dia em que percebi, também, o quanto amava os seus entes mais queridos, todos!
Uma grande lição de vida! que nunca mais esquecerei.
Mãe é única.

É árvore que cresce, floresce, dá fruto e renasce com a Primavera, ano após ano. Por isso achamos que é eterna.
Mas, paradoxalmente, partiu!
Julgava que tudo se tinha acabado!
Mas, não. Puro engano.
Hoje está mais presente do que nunca!

Acreditem que é mesmo assim!
Ainda há pouco meus filhos ofereceram à mãe um belo ramo de flores.
De rosas vermelhas - a cor de que ela mais gostava.
Logo hoje, em plena Primavera!
Eu não dizia?!
Lá está.
A mãe sempre presente!

domingo, 24 de abril de 2011

Avezinhas há pouco nascidas

Inícios de Abril.
Descobrimos o ninho nas traseiras de casa. Na altura apenas tinha um conjunto de ovos. Nunca mais o perdemos de vista. Várias vezes por dia observávamos a ave que "chocava" os ovos. Até que, no dia 15, surgiram estas belas e frágeis avezinhas. Que agora são a nossa mais recente companhia.
Extraordinário! A natureza no seu mais belo esplendor.









vídeo do Celso Miguel e Petrus

sábado, 2 de abril de 2011

principe russo

No Natal, o Menino Jesus contemplou o meu filho mais velho com um belo hamster que,de imediato, toda a família adoptou. "Principe russo" passou a chamar-se. "Principe" pelo lugar que passou a ocupar no seio da família e "russo", devido à sua origem, algures nas longínquas estepes russas.
Tomámos conta dele, com imenso desvelo.
Observámo-lo, ora recolhido no seu fôfo ninho, ora em correria nas suas habilidades, cheio de genica, sempre com um enorme prazer.
Apegámo-nos, todos, a tão elegante e simpático "bicho", que, ao fim de escassos meses, já não podíamos viver sem ele.
Hoje, envolto numa branca nuvem, partiu.
Agora, agora tomará conta de nós no Além.
Mistérios de partir o coração.

terça-feira, 29 de março de 2011

Música da Primavera


O 4º Festival de Música da Primavera de Viseu [parceria da Câmara Municipal e Conservatório de Música Dr. José Azeredo Perdigão], prossegue hoje com mais um concerto, pelas 21h30, nos Paços do Concelho.

Cabeça de cartaz: SUI GENERIS ENSEMBLE, Música de Cãmara.

Programa: "Fantasia" de Gabriel Fauré, com Ziliane Teixeira [flauta transversal] e Cheisa Goulart [piano]; "Cinq Danses exotiques" de jean Françaix, com José Eduardo Magalhães [saxofone]; "Choro" de Benny Wolkoff, com Luís Rocha [fagote]e Cheisa Goulart [piano]; "Vocalise" de Serge Rachmaninof, com Vânia Moreira [violoncelo] e Cheisa Goulart [piano]; "Quarteto para flauta transversal, saxofone alto, fagote e violoncelo"; "Memórias (tríptico)" de Pedro Iturralde.

Obrigatório.