Rápida, a sombra de Vergílio - Opinião - DN
Um texto histórico!
Só não sei quem será a "Noiva do Minho" a que se referia Vergílio Ferreira.
sábado, 3 de outubro de 2015
sábado, 5 de setembro de 2015
Batalha, o pintor
Exposição de Pintura de António Batalha, no Museu
Almeida Moreira - uma iniciativa
da câmara municipal.
da câmara municipal.
É uma bela homenagem ao artista que, curiosamente, se tornou mais conhecido na cidade como fotógrafo, actividade que desenvolveu na emblemática
Rua Direita. Aí liderou o estabelecimento de fotografia fundado pelo pai no início do século passado.
O artista viseense tem sido votado ao esquecimento: uma injustiça face à importância e qualidade da sua obra. Daí que estava na hora de ser desencadeada uma iniciativa, como esta, no sentido de colmatar essa grave lacuna. e pode ser até que o evento se venha a transformar no trampolim que o artista precisava para o inequívoco reconhecimento do seu mérito artístico.
Os quadros exibidos representam as várias facetas da sua produção artística.
Os retratos atingem um nível elevado de qualidade, contudo, as paisagens não lhe ficam aquém. Aliás, a riqueza das paisagens é destacada no postal distribuído gratuitamente aos visitantes, onde se pode ler que nesta área o pintor tanto assume a ruralidade regional como o cosmopolitismo das cidades que visita.
Todo o conjunto de obras é digno de aprimorada atenção, todavia devo destacar o óleo sobre tela intitulado "Capuchas" , da Colecção Municipal, que merece uma observação mais demorada. Representa quatro figuras humanas a caminho (ou no regresso?) da lavoura: uma delas, a mais jovem- figura central -, segue sentada no carro de bois com um cabritinho ao colo. Um quadro pleno de vida e beleza invulgar.O artista viseense tem sido votado ao esquecimento: uma injustiça face à importância e qualidade da sua obra. Daí que estava na hora de ser desencadeada uma iniciativa, como esta, no sentido de colmatar essa grave lacuna. e pode ser até que o evento se venha a transformar no trampolim que o artista precisava para o inequívoco reconhecimento do seu mérito artístico.
Os quadros exibidos representam as várias facetas da sua produção artística.
Os retratos atingem um nível elevado de qualidade, contudo, as paisagens não lhe ficam aquém. Aliás, a riqueza das paisagens é destacada no postal distribuído gratuitamente aos visitantes, onde se pode ler que nesta área o pintor tanto assume a ruralidade regional como o cosmopolitismo das cidades que visita.
Numa altura em que a cidade está toda voltada para a Feira de S. Mateus, é aconselhável uma visita. E não esqueça que o próprio edifício do museu (onde está instalada a exposição) merece também uma especial atenção: a recente reestruturação pode constituir uma agradável surpresa. Aproveite ainda a ocasião para dar uma olhada ao Jardim das Mães - lugar aprazível, ali mesmo ao lado.
sábado, 11 de julho de 2015
ORÁCULO
“ Tem sido um começo de ano difícil. Há ansiedade no ar, nos gabinetes
e corredores das instituições europeias. Pouco mais se tem feito, para além da
gestão da rotina. Não deixar a máquina emperrar parece ser a única preocupação.
Mas faltam o entusiasmo, a determinação e a coragem. Ninguém quer fazer ondas.
Tudo isto reflecte a desorientação em que a Europa se encontra.
(…) Já não se fala de convergências políticas, de ambições
supranacionais, nem da «casa europeia». É tudo muito mais terra-a-terra.
Enveredar por esta opção, como agora está a acontecer, faz cair Bruxelas das
nuvens e os eurocratas do pedestal onde muitos anos de retórica grandiloquente
os haviam colocado.
“A reorientação a que se assiste traz consigo um retorno a uma Europa
com um motor a dois cavalos: a França e a Alemanha. Um regresso à história, em
que a burguesia belga, neste caso Herman Van Rompuy, faz, como sempre fez, a
ponte entre vizinhos. O resto é periferia. Só que a periferia pode, como agora
acontece com a Grécia, dar origem a ondas de choque. A crise grega põe em causa
o pacto de estabilidade e enfraquece de modo significativo, a moeda única.
“Nunca se escrevera tanta opinião tão pessimista sobre o futuro do
Euro, como nas últimas semanas. As declarações de solidariedade recentes não
chegam para fazer esquecer que a Grécia tem, a curto prazo, que ser capaz de
responder aos enormes encargos financeiros que chegam a vencimento. Conseguirá?
Como também terá de adoptar políticas macroeconómicas com grandes custos
sociais. Haverá suficiente força política em Atenas para que isso aconteça?
Imaginem! Este fragmento é tirado da crónica de VICTOR
ÂNGELO na Visão de 25 DE FEVEREIRO DE 2009 - leram bem: 2009! Impressiona pela
sua actualidade. Parece coisa de “adivinhação”, não só pelos vendavais que
assolam a Zona Euro, mas em especial pela crise grega e a séria ameaça de contaminação
dos membros periféricos. Finaliza assim:
“Neste momento a impressão que fica é a de que o trem europeu saiu da
estação, o Tratado de Lisboa deu o sinal de partida, mas sem que o destino da
viagem seja claro. Nem mesmo os nomes das estações intermédias são conhecidos
do grande público. Os poucos passageiros a bordo parecem gente de um outro
mundo, sem qualquer relação próxima com o cidadão europeu. É uma elite
desligada das massas, a viajar em carruagens de primeira classe, num comboio
chamado incerteza”.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Intacta memória
É a festa por excelência da minha infância.
Sinto necessidade de o dizer.
Intacta
a memória
leva-nos até às nascentes
retempera as forças
e empurra
pela vida fora!
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Conversas
Há quem diga que a tarefa de tradução é complicada por "culpa" da língua portuguesa: nem sempre é possível encontrar palavras que reproduzam fielmente o texto original em língua estrangeira.
Sempre desconfiei dessas vozes pessimistas.Será defeito da nossa língua? – era a questão que sistematicamente colocava.
Encontrei, por casualidade, uma resposta categórica na entrevista a David Mourão-Ferreira publicada na “COLÓQUIO/Letras” nº 145/146 (Julho de 1997), de que transcrevo o seguinte extracto:
“ – A língua
portuguesa permite-lhe exprimir-se como deseja?
– Permite, não tenho razões de queixa da língua portuguesa.
O meu grande mestre, mestre na Faculdade e em termos afectivos, Vitorino Nemésio,
uma figura absolutamente extraordinária que conhecia a língua portuguesa como
eu nunca conhecerei (só encontrei mais duas pessoas assim: o Aquilino Ribeiro e
o Tomaz de Figueiredo - este é praticamente desconhecido, e é injusto),
disse-me uma vez: “Nunca apanhei a língua
portuguesa em falta.” Isto a propósito duma tradução que tinha feito. Por
mais difícil que seja aparentemente ou à primeira vista dar em português
qualquer coisa que estava dada numa outra língua, consegue-se sempre; eu acho
que isto acontece com todas as línguas, no fim de contas. (…)
– A um leitor que se
aproxime pela primeira vez da sua poesia, como é que aconselharia a lê-la, com
que espírito?
– Com espírito de abertura, que é também aquele espírito com
que leio a poesia dos outros. Ou por outras palavras, num espírito de, tanto
quanto possível, absoluta receptividade. É preciso deixar que os poemas
encontrem eco no espírito de quem os lê para aí se completarem, porque um texto
poético, ou mesmo narrativo, não está completo quando sai das mãos do seu
autor: é o leitor que o completa.”
Palavras geniais que tanto me fascinam e reconfortam a
alma: parece que estou a ouvi-lo pessoalmente (lembro-me muito bem da figura do escritor, que conhecia através dos seus programas literários passados na TV).
A propósito, o António Lobo Antunes, na entrevista que concedeu ao suplemento Ypsilon do
Público de 9 do corrente mês, à
pergunta O que há de fantástico nas conversas com escritores , o chegar perto do enigma do talento?
respondia: “Talvez. Não sei. Ainda vou à
feira do livro e fico a olhar para a fila dos autógrafos dos outros e a olhá-los
porque eles escrevem. Os autores. E volto a ser o miúdo que era quando vinha do
liceu e passava ao pé do jardim zoológico. Havia ali uma cervejaria chamada
Coral onde comiam grandes génios à quinta-feira, a Natália Correia, o David
Mourão-Ferreira, e eu ficava do lado de fora, com 14 ou 15 anos, fascinado a
olhar para aquela gente. Atraem-me os escritores. Parece que têm contacto com
outra instância qualquer.” quarta-feira, 2 de julho de 2014
música de Bach
Mário Laginha, a propósito do lançamento do disco Terra Seca (música interpretada pela
nova formação Mário Laginha Novo Trio),
foi questionado pela Antena 2* sobre como definiria a música de Bach.
A pergunta não obteve resposta imediata e gerou um prolongado silêncio, que viria a ser quebrado pela significativa revelação:
“Não
acredito em Deus… se tivesse que definir a música de Bach diria que ela é …
Deus”.
*Programa Império
dos Sentidos, manhã de 17 de Setembro de 2013
sexta-feira, 13 de junho de 2014
aguarelas de rua
Tenho um fascínio por aguarelas.
Adquiri algumas ao longo do tempo.
Julgava que a aguarela seria um parente pobre da
pintura a óleo, até que um dia o meu sogro me confidenciou que a pintura de
aguarela era muito exigente.
Dizia ele com a segurança de quem percebe do assunto:
“A aguarela
tem que ser executada logo à primeira mão, não admite emendas ou retoques como acontece,
por exemplo, com a pintura a óleo.” .
A partir de então comecei a olhar com mais respeito para aquela
espécie, se bem que continuo a achar que a pintura a óleo pertence a uma
categoria superior das Belas Artes. E creio que é por essa razão que um quadro
a óleo de artista consagrado atinge preços de mercado exorbitantes, inacessíveis
ao bolso do comum dos mortais, como é o meu caso.
Fico-me pelas aguarelas. E mesmo assim já tive que dispender
algumas quantias muito significativas, que nos dias de hoje a bolsa não o
permitiria. São loucuras que, a partir d’agora, com os cortes nos vencimentos, tendencialmente
vão acabar!
Tenho pena, porque custa sempre abandonar uma prática
que nos dá prazer.
Para mim, a aguarela tem um significado muito mais
profundo do que o simples valor monetário correspondente ao preço de custo.
As minhas estão intimamente ligadas aos lugares onde foram adquiridas.
Madrid Córdoba Roma Florença Amsterdão são cidades que passam
cotidiamente diante dos meus olhos, graças ás aguarelas que ornamentam as paredes de casa.
Duas há, todavia, que suplantam todas as outras: de pequena dimensão, muito semelhantes, da autoria do mesmo artista. O
próprio, oriundo de um país balcânico recentemente emancipado, se encarregou de
as vender em plena rua de Londres. Autografou-as com carinho e
formulou votos de felicidades.
Um gesto de enorme contentamento e com uma ponta de vaidade.
Julgava eu que as aguarelas da rua seriam apenas mais duas para a
colecção, mas, afinal, cheguei à conclusão de que têm a marca do coração.
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